Agência Azul: Vislumbrando o futuro

6 de outubro de 2010 Entrevistas 1 comentário

Originada da união de Mark Feddersen e Tito Costa Santos, a Agência Azul surgiu de uma combinação pouco semelhante e inusitada e que, mesmo com tais elementos, se sobressaiu e deslanchou no mercado. Estilos, experiências e atuações distintas entre ambos sócios eram relevantes: o primeiro era focado em arte, criação, e o outro, em planejamento e comunicação. Em 2008, os profissionais se juntaram, oficialmente, para tornar os elementos contrários em elementos efetivos e potentes.

Feddersen, um dos sócios da agência, bateu um papo com o Choco La Design e, muito gentilmente, discursou didaticamente sobre a estrutura de uma agência, valores, metodologia e futuro. Por ser um conteúdo vasto e rico, confira a entrevista com Mark Feddersen, na íntegra, logo abaixo.

Choco – A Agência Azul é baseada em que ideal e metodologia profissional?

Azul – Em primeiro lugar, ser criativo! Queremos oferecer soluções que nossos clientes e seu público reconheçam como algo novo, que agregue valor à marca e contenha uma boa dose de criatividade e vontade de fugir da mesmice.

Em segundo, ter sensibilidade para perceber o que as pessoas estão querendo ver, sentir ou experimentar. É preciso sempre buscar entender para onde as diversas tendências sociais estão nos levando. Criatividade sem esse “olhar para o mundo” tende a deixar um gosto meio egoísta: o criador criando apenas para sua própria apreciação. Queremos criar para a satisfação do público.

E, acima de tudo isso, profissionalismo. Queremos ser uma agência que leva o cliente a confiar no trabalho que está sendo desenvolvido. Ele tem que acreditar que vai obter uma solução que vai gerar resultados para sua marca, que será entregue dentro do prazo e a um custo competitivo. Essa é, talvez, a peça-chave da nossa metodologia. Cobramos isso da nossa equipe o tempo todo! E gostamos quando nossos clientes reagem positivamente e têm conosco o mesmo tipo de comportamento.

Choco – Vocês destacam bastante a questão da interatividade no site e ressaltam as mil utilidades da web 2.0. Por que deve-se chamar a atenção para a web interativa, além da renovação de conceitos em mobile marketing, SMO, multimídia, entre outros citados em “Soluções”?

Azul – A interatividade é a grande característica dos nossos tempos. Ela mudou a forma como as pessoas se vêem no mundo.

Até pouco tempo, a comunicação era unidirecional: você via televisão ou cinema, lia jornais e revistas e ouvia rádio. Nas mídias tradicionais de massa, nas quais o sistema de troca de mensagens ocorre de um emissor para vários receptores, não era possível que as pessoas expressassem ideias e opiniões, não havia um canal de retorno fácil e prático de usar. Éramos todos, de certo modo, objetos passivos no processo de comunicação, pois não interferíamos diretamente na produção de conteúdo.

Felizmente, o modelo de web interativa mudou isso de forma radical. Os indivíduos conquistaram o poder de expressar suas ideias, adicionar, questionar ou concordar com o que era veiculado nas grandes mídias, tudo de um jeito muito simples e rápido. Da mesma forma, os consumidores passaram a produzir uma quantidade incrível de conteúdo sobre os mais diversos assuntos, a interagir constantemente com as marcas e a modificar produtos e serviços. Qualquer um que tenha acesso à internet – número que vem crescendo em um ritmo intenso – adquiriu espaço para se pronunciar e ser ouvido por uma audiência que inclui milhares de outras pessoas. Provamos o gostinho da participação e não queremos mais um papel passivo. Por isso, o processo é irreversível. Queremos todos estar dentro do que está acontecendo e não só assistindo. Quem não perceber essa tendência mundial vai ficar para trás, não importa a fatia de mercado que tenha tido no passado.

A internet móvel, seja no carro, no celular, no iPad ou em qualquer outra tecnologia que venha a ser criada não são, em si, formas radicalmente diferentes de comunicar. São apenas meios diferentes de transmitir a mensagem para as pessoas fora do ambiente PC. Então, mais uma vez, o diferencial é a possibilidade de retorno imediato das pessoas, dessa vez não apenas na frente do computador, mas a qualquer momento e de qualquer lugar.

Noutro dia, fim de setembro, por exemplo, monitoramos um tweet de um cliente da Cervejaria Devassa elogiando a ação de relacionamento da marca na rede, através da qual ele havia sido “reconquistado” por ter recebido uma resposta e uma solução eficiente à questão levantada por ele. Em outro caso, mais antigo, identificamos um consumidor combinando com os amigos, via Twitter, ir a uma loja de São Paulo que já havia sido fechada. Ele estava fazendo isso via celular, ou seja, já estava se dirigindo para o local. Em tempo real, informamos que a unidade havia sido fechada e indicamos a Devassa mais próxima. Ele e os amigos ficaram surpresos e felizes com a informação e comentaram positivamente sobre a marca com suas redes de amigos.

Choco – Como a agência prevê os próximos 5-10 anos para a interatividade na internet – tendo em vista que “interatividade” é o grande gancho da Azul?

Azul – Falar do futuro é sempre complicado. O que sabemos é que hoje fica cada vez mais fácil a interação entre a marca e seus clientes. Cabe à agência identificar novas possibilidades de como fazer isso.

(…) Tentar predizer o futuro pode nos levar a buscar um caminho único que talvez não chegue a acontecer. Portanto, acreditamos que a atitude tem que ser de se manter atento, curioso, interessado e buscando em tudo que é novo uma oportunidade inédita. É melhor manter abertas as possibilidades, avaliando cada encruzilhada quando se chega a ela.

Embora tentemos fugir de dizer “É isso que vai acontecer…”, algumas dessas novas alternativas estão na nossa frente nesse momento e podemos falar um pouco mais sobre elas.

Arriscamos dizer que em cinco anos a internet e a TV já serão uma coisa só, provavelmente englobando também muito do que é comunicado hoje via jornais e revistas. Como diferencial possibilitarão a percepção imediata da reação do público através da interatividade. Aliás, embora de forma rudimentar, as redes de TV já utilizam esse recurso, principalmente nas transmissões esportivas, em programas de auditório e em reality shows.

O uso do tridimensional também parece uma evolução muito próxima. Além de telas com imagem 3D sem uso de óculos especiais, poderemos ter em casa e nos escritórios “impressoras” 3D, capazes de construir, em plástico, objetos com peças móveis. Ambas as tecnologias já existem, falta tornar o custo mais accessível. Mostrar a estética do produto, seja ele um celular ou a vista de um hotel, se tornará mais fácil e passará a acontecer sob o comando do comprador.

Em 10 anos (ou antes, quem sabe), poderemos comprar, via touchscreen, uma peça de roupa que vimos num filme. Mas porque touchscreen e não uma nova mídia? Um 3D holográfico que se formará à nossa frente… Nesse exato momento milhares de pessoas estão trabalhando para desenvolver uma nova solução que com certeza não vai estar nessa resposta. (Bom exemplo do que queremos dizer: http://www.youtube.com/watch?v=C-dVnG8drxs )

A grande verdade é que também estamos curiosos para ver para onde e como tudo vai evoluir. Continuamos trabalhando muito para acompanhar o que acontece e oferecer aos nossos clientes o que existe de mais atual para uma interação cada vez mais eficaz com seu público.

  • Filipe Fernandes

    Willy Wonka do Choco la Design. Gerencio essa equipe com mais de 20 colaboradores e sou o responsável por toda a parte de relacionamento e desenvolvimento, focado em inovação, sempre em busca de novas oportunidades e parcerias que podem se tornar um diferencial no futuro. Tive a idéia de criar o Choco la Design com a intenção de trazer, para vocês leitores, referências e inspirações, além de ajudar a divulgar os trabalhos de designers e ilustradores talentosos mas que estão escondidos por esse Brasil afora. Gosta de se inspirar com música? LastFM.

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