Raul Seixas chamava os anos 80 de charrete que perdeu o condutor. E muitos ícones da época desembestam para as campanhas publicitárias de hoje sem nenhuma cerimônia. É um Superamigos sem fim, onde sempre aparece um novo herói na superled da Sala da Justiça.
A última aparição foi da dupla circense Atchim & Espirro para a campanha da Vick (Patati e Patatá já têm programa, o Bozo deve estar pintando por aí). Clipe bem produzido, bem pertinente. Mas confesso que estou desenvolvendo coulrofobia (sempre quis usar essa palavra).
Claro que as crianças, punks e yuppies dos anos 80 são líderes de opinião hoje, ou melhor, líderes de consumo. Apelar para o saudosismo ou mesmo chacota retroativa de personagens cults é interessante. Mas a linha entre o requentado e o requintado é tênue, e a gente está muito perto de ultrapassar.
Na verdade o meu grande medo é que uma hora mallandros, magais, cantores de lambada, biafras e sungas de crochê formem um exército para dominar toda a mídia do terceiro milênio. Será um show de gluglus, voar-voars, subir-subirs em todas plataformas e não haverá mais locais seguros.
Contudo confio na bagaceira atual para contra-atacar. Quem sabe uma divisão especial formada de ex-BBBs executando uma operação secreta para lacrar esse portal do tempo e deixar todas essas figuras presas na outra dimensão, a mais de 30 anos daqui.
E o engraçado de tudo isso é que as campanhas mais marcantes da década de 80 não tinham a presença de nenhum dessas entidades que invadem a casa da gente hoje.
http://www.youtube.com/watch?v=JlIAtOVY4qo
http://www.youtube.com/watch?v=7scAOIyXrqs