Conhecendo o Público

21 de abril de 2011 Digital Signage Nenhum comentário :(

Conhecer o público é importante para praticamente todos os projetos de design. Com o digital signage não poderia ser diferente.

Diferentes públicos significam diferentes abordagens, que incluem: tema, imagens, cores, fonte, conteúdo do texto, tempo de leitura.

Dentre todos esses itens um que sempre recebe mais atenção onde trabalho é o tempo de leitura, afinal, de nada adianta produzir um vídeo belíssimo se as pessoas não conseguem acompanhar o texto.
É claro que o visual também recebe atenção, caso contrário eu não estaria lá ;) , mas até mesmo o visual depende do tempo de leitura.

Imagine que você queira apresentar um novo produto, com um design completamente diferente do que exista no mercado, com uma função diferente, com um preço super especial, etc. Se o texto for apresentado rápido demais, veja o que acontece:

Conheça o novo…
Para facilitar sua…
Desenvolvido para…
Produto 100%…
Oferta especial…

Aí você pode até tentar argumentar que o vídeo será exibido novamente, basta as pessoas prestarem mais atenção… NÃO!

Para começar, você não pode obrigar as pessoas a prestarem mais atenção numa segunda demonstração só porque você não foi capaz de passar as informações adequadamente na primeira vez.

Além disso, dependendo do loop no qual o vídeo está inserido pode ser que demore muito tempo até a próxima exibição. E aí, como faz?

“Mas eu posso colocá-lo mais vezes no loop!”
…Até pode, mas aí você vai encher o saco dos espectadores e acabará perdendo audiência. Não se esqueça que não é um veículo de comunicação igual à televisão, onde as mesmas propagandas podem ficar passando durante os intervalos, pois ali existe um conteúdo mais importante e muito mais longo. Exceto em projetos especiais, lidamos com vídeos de 30 segundos, cada um tão importante quanto o outro.
Não é como uma propaganda televisiva onde você pode acelerar a locução, estilo comercial de medicamento: “Blablablaéummedicamentoseuusopodetrazerriscosprocureomédicoeofarmacêuticoleiaabula”.

É importante não perder o foco do trabalho pela possibilidade de inserir uma quantidade maior de vídeos através da diminuição do tempo de exibição. Não é apenas o espectador sai perdendo nesse caso, o anunciante também. E o que é o anunciante senão “o cara que acaba pagando seu salário”?

Mas, e quando o público é muito variado?

No caso de vídeos nos quais o texto tem papel importante, vale nivelar por baixo. Por exemplo:
Se você tem um público formado por universitários e por pessoas que não estudaram além do ensino fundamental, o tempo de leitura deve ser suficiente para que o segundo grupo entenda o que está sendo apresentado, afinal, tanto um como o outro possui consumidores em potencial. O grupo que consegue ler mais rápido acompanha um vídeo para aqueles que leem vai devagar, mas o inverso não acontece.

O mesmo vale para todos os outros aspectos do trabalho: uso de metáforas ou interpretações visuais literias, fotos ao invés de vídeos ou vice-versa, cores fortes ou suaves, fonte maior/fonte menor/fonte fantasia/fonte sans-serif…

Como um bom designer, se pergunte sempre, “O público-alvo será capaz de entender [e apreciar]?”
Se a resposta não for positiva, é um trabalho indo para o ralo…

  • Jaci Coningham

    O design provavelmente já estava no sangue, com várias pessoas na família ligadas a comunicação e artes, mas só descobri o que significava ser designer em 2002, na faculdade. Já trabalhei com jogos, fiz editoração, dei aulas e agora sou diretora de arte na área de motion design. Pratiquei hipismo clássico por 13 anos e minhas bandas preferidas são Pantera, Machine Head, Bad Religion, Millencolin e Beach Boys. Pra saber mais: Portifólio e Facebook. =)

    Veja todos os 42 posts publicados por Jaci »

    COMENTÁRIOS