“No fundo de um buraco ou de um poço, acontece descobrir-se as estrelas.” Aristóteles mandava bem na filosofia, física, música, biologia, política, poesia. Em tudo que é buraco, o tutor de Alexandre, o Grande, se metia.
E ainda hoje falamos do velho Ari porque ele cavou fundo. O que desenterrou da alma dele preencheu um pouco mais a nossa.
Mas aí você pensa: vale a pena se matar na agência, ser soterrado por referências das artes, do design, peneirar uma boa ideia dias a fio, para no final as pessoas tocarem apenas na superfície? Não dava pra ser menos penoso conseguir um clique descompromissado, uma olhadela de canto no seu comercial?
Não. O buraco é mais embaixo.
Quem cava pensando apenas aonde vai chegar não percebe que o importante é cavar. É cavando que a mágica se faz, o motivo inicial fica bobo comparado ao que foi descoberto no caminho.
O resultado pode ser a Teoria da Relatividade ou um aplicativo para enfrentar o seu gatinho no iPad. Tudo tem o seu lugar quando se percebe a entrega de quem cavou.
Por outro lado, o mercado e a vida não deixam espaço pra quem coloca um monte de ideias soltas em uma cova rasa. Qualquer questionamento simples vira enxurrada e leva seu comodismo pra vala mais perto que tiver.
Na publicidade a tática do avestruz também não funciona. Mais que enfiar a cabeça na terra das ideias de terceiros, é preciso colocar o pé na rua para criar as suas.
Vamos lá, temos vários solos fertéis para explorar e a jornada pode ser bem acompanhada, tanto do filósofo grego quanto de outros grandes escavadores da história. Juntos, rumo às estrelas.
Referências
Aristóteles | Teoria da Relatividade | iPad para gatinhos
Fernando Portela é diretor de criação da fullDesign Comunicação Integrada. Concorda com o Henry Miller e investe no universo para extrair mais dele. Twitter | Facebook | Pinterest