Bom dia galera!
É com imenso prazer que eu trago pra vocês a entrevista que fiz com uma pessoa que de uns dias pra cá se tornou mais próxima de mim e acabamos ficando bem amigos. Nanda Corrêa não só é talentosa como também é uma pessoa fantástica. Logo a baixo segue a entrevista que fiz com ela.
Vocês podem encontrar mais informações no site oficial de Nanda Corrêa.
Fale um pouco sobre você, sua vida, onde mora, formação e o que sentir vontade de compartilhar conosco:
Sou estudante de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense – UFF (Niterói – RJ), no último ano do curso.
Foi na faculdade que descobri meu traço, me apaixonei pelos croquis apresentados durante uma aula de Introdução ao Projeto Arquitetônico, e desde então busco aprimorar e fazer disso a minha característica principal.
Desde a infância colecionava cursos de desenho e pintura vendidos em bancas de jornal, o que foi ótimo com toda certeza, pois neles encontrei referências de grandes artistas que admiro até hoje.
Desenvolvi minha primeira ilustração há pouco mais de um ano e acredito que o mais maravilhoso desse tipo de trabalho é que não há fronteiras, é onde meus pequenos universos quase instantâneos, criados pela combinação de coisas lidas ou ouvidas ganham vida.
Quando você começou a se interessar pela ilustração?
Quando era criança encontrei uma revista em casa com uma reportagem sobre Margaret Mee, não havia como não me apaixonar por ilustração e por natureza, pois os registros dessa artista são fantásticos. Apesar de ser um tipo específico, nesse caso o da ilustração botânica, acredito ter sido nesse dia que decidi no futuro fazer algo envolvido com desenho e pintura.
Alguns anos depois comecei a gostar de ilustração de moda, talvez essa seja a razão pela qual os meus desenhos hoje tenham a presença de figuras femininas. Tenho sonho de ilustrar livros, principalmente infantis enfim, o interesse por ilustração vem tomando proporções gigantescas na minha vida.
Sua ilustrações são geralmente ligadas a natureza e lendo a biografia do seu site vi que você é apaixonada por isso. Como começou essa paixão?
É difícil dizer quando me dei conta dessa paixão, mas me parece ser uma “herança” de família, começou com a minha avó materna, e depois cresci vendo o amor com o qual minha mãe cultivava suas plantas no jardim de nossa casa.
Meus primeiros desenhos e tentativas de pinturas tinham como tema o universo lindo das flores. Natureza é algo fascinante!
Que materiais você usa para compor uma ilustração? E quanto tempo demora para um trabalho ser finalizado?
Basicamente meu trabalho é feito com grafite, nanquim, aquarela e tintas de tecido e acrílica e hoje é claro o computador que tento aprender ao máximo para retocar digitalmente as imagens, mas busco não perder a essência do meu trabalho a mão livre.
O tempo de execução varia muito de trabalho para trabalho. Já fiz, por exemplo, uma ilustração chamada “O Farol” para um pôster de uma peça teatral em apenas um dia, mas algumas ilustrações podem demorar até semanas para serem finalizadas.
Existe ilustradores que você gosta e se inspira para criar suas artes?
A lista de ilustradores e artistas que gosto poderia ser infinita, mas que me inspiro propriamente, não saberia muito bem dizer. Tenho o seguinte pensamento, procuro saber a técnica e não o estilo do artista, quando olhamos muito o trabalho de uma determinada pessoa, ficamos imersos no universo dela e isso muitas vezes pode ser uma boa armadilha.
Por isso que ao invés de ver ilustradores que desenham flores, por exemplo, eu prefiro olhar as flores e daí nascer algo novo. Mas dessa minha lista infinita tenho alguns que gosto muito, o ilustrador James Jean, dono de uma arte impressionante, o ilustrador de moda David Downtown com aquarelas de tirar o fôlego e o pintor Vincent Van Gogh, com sua loucura genial.
Ainda falando em inspiração, onde você costuma busca-la?
Música, poesia, livros, revistas, pessoas na rua, acredito que tudo me inspire, mas a fonte de inspiração mais constante e importante para mim é a natureza, especialmente as flores. Sou completamente fascinada por sua variedade infinita de matizes, nas milhares de cores, tipos, texturas e detalhes. E isso se reflete muito na minha paleta de cores.
Como diria Van Gogh (meu pintor preferido): Há algo infinito na pintura – Eu não posso explicar-lhe tão bem -, mas é tão delicioso só por expressar os sentimentos de alguém. Há harmonias e contrastes escondidos em cores que se combinam involuntariamente para trabalhar em conjunto e que não poderia ser utilizado de outra maneira.
Como você caracteriza o estilo de suas ilustrações?
Meu trabalho com ilustração é muito baseado no desenho. Uso o computador também, mas gosto que meus trabalhos tenham uma qualidade artesanal, algo como esboços, croquis. Definiria meu estilo como “propositalmente não acabado”, ou seja, não é um desenho finalizado com um traço mais tradicional, seria um “estilo croquizado” eu diria.
Acredito que minhas ilustrações têm um lado de fantasia – sempre fui fascinada por imagens com sensação de sonhos, de irrealidade.
Como se sente vendo que seu trabalho é reconhecido no Brasil e no mundo, em outras palavras, qual a sensação de ser uma referência em se tratando de ilustração?
Pra ser bem sincera não penso muito nisso, acredito tanto que ainda preciso melhorar e aprender inúmeras coisas que só consigo ver outras pessoas como referência. Mas sempre que recebo um e-mail ou mensagem de pessoas que se dizem motivadas a mergulhar no universo das artes por que viram algum desenho ou pintura minha, com toda certeza fico muito honrada e emocionada. Acho que essa seja uma excelente forma de servir ao mundo e conectar-se com outras pessoas.
Você trabalha em alguma outra área do design fora ilustração?
Busco hoje manter o caminho das ilustrações e estampas, mas minhas pinturas são aplicadas em qualquer suporte. Eu pinto em qualquer objeto e material, desde parede, tela, tecido, tênis, móveis, enfim tudo pode servir como a janela para o meu universo.
Que dicas você pode dar para quem está começando a trabalhar com ilustração?
Iria encorajá-los a trabalhar sinceramente em qualquer meio que escolham, e que refletissem sobre o que os fizeram querer trabalhar com arte e design, e que depois disso procurassem focar no que mais gostam sem se preocupar muito com o que as outras pessoas estão fazendo. Que realizem suas ideias até o fim, e que lembrassem de que nem sempre o que está na cabeça é o que será o produto final, resultados inesperados acontecem e poder ser estimulantes.










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