Determinar quais softwares usar no trabalho nem sempre é uma tarefa fácil, especialmente quando vários fatores agem tanto contra como a favor de determinadas linguagens visuais, extensões, formas de execução. Hoje vou falar pra vocês como fizemos pra escolher os programas usados no estudio.
Esse artigo é mais para quem está começando, já que depois de um tempo no mercado algumas coisas começam a parecer óbvias
Fatores técnicos
Em primeiro lugar, é preciso conhecer toda a linha de produção para poder encaixar as peças adequadamente. De forma simplificada, temos a concepção, a criação, a produção, o gerenciamento dos vídeos (conteúdos) e a exibição dos conteúdos. Começando de trás pra frente é mais fácil descobrir o que usar em cada estágio, pois a etapa seguinte traz as suas próprias limitações para as anteriores.
5. Exibição dos conteúdos
Os conteúdos são exibidos através de players. Assim como qualquer software de exibição no computador, existem formatos que são aceitos e formatos que não são aceitos, que podem variar de acordo com o desenvolvedor.
4. Gerenciamento de conteúdos
Nessa área trabalhamos com canais que exibem um determinado número de conteúdos por um determinado tempo. Para que esses canais funcionem, precisamos de programas para gerenciar todo o conteúdo criado, saber se estamos lidando com vídeos dinâmicos (alimentados através de outras fontes, como sites de notícias) ou estáticos (sem alimentação), a ordem em que os vídeos deverão ser tocados, se existem horários determinados para a exibição, etc.
4a. Conteúdos dinâmicos
Em se tratando de vídeos dinâmicos, precisamos saber o que seria necessário para alimentá-los: Ao buscar informações de outros sites usaríamos o arquivo XML ou RSS? Seria necessário buscar imagens e vídeos? Os textos seriam alimentados manualmente? Etc.
A montagem de um vídeo como esse se dá em um programa específico, então a questão das extensões aparece novamente.
4b. Conteúdos estáticos*
Aqui não há segredos, basta saber que formatos o player suporta.
*O termo “estático” é usado apenas em relação à alimentação, não se trata de um arquivo em formato de vídeo desprovido de movimento
3. Produção
A essa altura já sabemos alguns detalhes para a produção. Um deles é a escolha pelo formato .wmv, mais leve e suportado tanto pelo player como pelo programa usado para a elaboração de conteúdos dinâmicos. Esse formato pode ser gerado com o Adobe Media Encoder, a partir de um arquivo criado no After Effects, por exemplo.
2. Criação
Ao saber que programas a produção usa, já fica mais fácil determinar quais usar pra criação de forma a facilitar o trabalho. Como não poderia deixar de ser, os programas da Adobe têm uma boa afinidade entre si, então não seria má ideia combinar o Photoshop com o After Effects.
1. Concepção
A concepção por si só não precisa estar ligada a programas. O que é importante nessa fase, no entanto, é levar em consideração outras questões como tempo de execução e prazo de entrega, pois de nada vale surgir com idéias mirabolantes se elas extrapolam no tempo tanto de criação como de produção. Quando existe uma folga, até é possível explorar novas possibilidades, mas quando há demanda não tem conversa: caímos na questão dos prazos muitas vezes estipulados já pelos clientes.
Fatores humanos
Conhecidos os fatores técnicos, é hora dos humanos entrarem em ação pra fechar de vez as escolhas. Não há muito a ser comentado aqui, pois muitas vezes esses fatores se resumem a gosto e adaptação. Vou aproveitar e mostrar as nossas escolhas, novamente de cima pra baixo:*
Produção
Gostamos tanto de 2D como 3D, então é claro que a produção não ficaria limitada apenas a um programa.
Para 2D, não tem jeito, o After Effects é campeão (pelo menos no Windows).
Já para o 3D, cada um escolheu o seu: Um se adaptou muito bem ao Blender e defende sua interface; outro já usa o XSI, com seus nodes e sistema de partículas que costuma deixar os clientes boquiabertos.
Como já mencionado, o Adobe Media Encoder também aparece por aqui pra dar uma força com as extensões.
Criação
Essa é minha área e o Illustrator é praticamente uma extensão do corpo. MAS, como o Photoshop tem uma afinidade muito maior com o After Effects do que o Illustrator, também precisei selecionar esse bichinho pro meu trabalho, o que resulta em muitos projetos com fotos ou tons mais artísticos abusando de brushes e texturas que normalmente pesariam muito no Illustrator ou simplesmente demorariam mais para serem finalizados.
Para os projetos em 3D a arte é feita no próprio programa, cabendo à criação apenas a elaboração do storyboard com detalhamento de elementos, cores, efeitos, texturas, etc.
A lista é relativamente pequena por causa do número de pessoas e divisão de trabalho. Se fosse somada à lista os gostos de outros que já passaram pelo estudio, também apareceriam o CorelDRAW e o 3dsmax, com cada um fazendo a sua escolha funcionar no sistema. Se qualquer uma das escolhas não funcionasse nos níveis superiores, obrigatoriamente seria descartada (seria o caso de um programa que não tivesse layers, por exemplo).
*Deixei as escolhas por gerenciadores e players de fora pois esses levam em conta outros fatores como parcerias, facilidade de implantação, suporte, etc.
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