Foi-se a época em que fones de ouvidos eram discretos e minimalistas. Isto, atualmente, se deve em partes a Beats Eletronics, marca de fones de ouvido criada pelo rapper e produtor musical Dr. Dre, em parceria com o executivo musical Jimmy Iovine.
Cansado de trabalhar horas em suas músicas e na produção musical de outros artistas, e depois ver todo o trabalho jogado no lixo por causa do uso de fones que causavam distorções nas músicas, Dr. Dre decidiu embarcar neste novo negócio. E, pode-se dizer: ele foi muito bem sucedido.
No ano passado, a Beats faturou estimados 500 milhões de dólares e, nos EUA, já detém 54% das vendas do segmento, passando gigantes como a Sony. Com estes números, não demorou para que uma grande empresa, no caso a HTC, quisesse investir na marca. A gigante taiwanesa comprou o direito acionário da Beats por 300 milhões de dólares.
A questão, entretanto, é como um empresa de fones de ouvidos com apenas 6 anos consegue esta performance impressionante.
A estratégia de posicionamento da Beats é simples, porém muito eficaz. Baseada em alta tecnologia, uma pitada de moda e associação com celebridades, a Beats Electronics conseguiu reinventar o mercado de fones de ouvido.
Um exemplo é o Superbowl deste ano. Na apresentação da diva Madonna, a dupla LMFAO fez uma participação de, mais ou menos, dois minutos. Enquanto interagiam com a rainha do pop, um dos integrantes usava um fone da Beats cravejado de brilhantes.
Para quem não sabe, o Superbowl é o evento mais disputado por anunciantes no mundo todo e uma inserção de 30 segundos custa em média 3,5 milhões de dólares. No caso, a Beats economizou 7 milhões de dólares com este endorsement, que provavelmente nem pago foi.
Por Dre ter amizade com várias celebridades do mundo da música, fazê-los se interessar pelos produtos da Beats foi fácil. Em vez de cachês milionários, a empresa apenas envia produtos aos artistas, que rapidamente se encantam pela marca.
Esta estratégia de marketing de guerrilha se torna muito eficaz a partir do momento em que as celebridades são fotografadas usando os produtos da Beats, fazendo os mesmos se tornarem verdadeiros objetos de desejo.
Os mais variados artistas e celebridades foram vistos com produtos da empresa: de Lebron James a Neymar e de Justin Bieber a Lil Wayne.
Abaixo, um vídeo promocional da marca mostrando os artistas usando os fones e vídeoclips com product placement dos produtos da Beats.
Se pensarmos em termos de posicionamento, o sucesso da marca se deu por uma definição assertiva de público alvo e do valor da marca. Desde a estratégia de marketing até o design de produto, a Beats foi criada para pessoas jovens, de alto poder aquisitivo e apaixonadas por música.
Falando em design, ninguém mais, ninguém menos do que o ex-diretor de design da Apple foi chamado para cuidar deste departamento. Enquanto as outras marcas buscavam criar fones minimalistas e discretos, os produtos da Beats podem ser identificados de longe.
Pode-se dizer que antes da Beats, apenas estrelas e profissionais da música compravam fones caros. Agora, existe uma nova categoria no mercado. Isto, é claro, fez com que a concorrência se mexesse. A marca Harman, por exemplo, já chamou Paul McCartney para promover sua nova linha de fones.
Preocupada em manter seu crescimento, a Beats está expandindo seu mix de produtos para notebooks, smartphones e sons para carros. Essa expansão também contempla novos mercados, principalmente os emergentes. O Brasil, por exemplo, é uma prioridade no plano de crescimento da Beats. Aqui, um fone da marca chega a custar até 2 mil reais.
O caso da Beats é prova de que estratégias de marketing, de produto e de divulgação, são imprescindíveis para a criação de uma marca de sucesso, e, principalmente, para se criar objetos de desejo. Afinal, qual marca não quer ser altamente desejada por seus consumidores?
FONTE: EXAME


