Seja Freela #19 – #Fail no capital inicial (a grana, não a banda)

23 de março de 2011 Seja freela 9 comentários

Muitos de nós querem começar um negócio, e até arrumam um dinheirinho para começar. Infelizmente muitas empresas morrem antes mesmo de completar o seu primeiro aniversário e, geralmente, é pelos mesmos erros. Não avaliaram de maneira correta como investir o seu capital inicial. o Post de hoje, é sobre 5 erros comuns que cometemos ao iniciar o nosso novo negócio.

1. subestimando custos de operação

Quase 30% dos novos empreendedores subestimam o seu custo de operação mensal, ou seja, se esqueceram de colocar algumas variáveis na conta. E geralmente são coisas que estão diretamente ligadas ao seu produto final.
Vamos para um exemplo simples, um fotografo freelancer: ele coloca no orçamento as parcelas da sua câmera, lentes, tripé, flash, bolsa… aí, ao conseguir o job, se esquece de colocar também no orçamento o custo do veiculo de condução, combustível, seguro do carro, IPVA, etc. ou mesmo, a passagem de ida e volta de ônibus.
O custo de operação deve contar com todo tipo de gasto que será necessário para manter a sua atividade em pé e rodando.

A dica: planilhas, cara! Planilhas! Não se intimide com a interface feia do Excel, ele é seu maior aliado nesta empreitada.
Faça uma planilha de orçamento do seu escritório que contemple contas anuais esperadas, por exemplo, manutenções periódicas, IPTU+IPVA, seguros. Muita coisa a gente sabe que vai ter que gastar, mas não se prepara… simplesmente porque esqueceu de anotar.

 

2. subestimando o custo de startup

Quase 20% dos novos empreendedores dizem não ter guardado dinheiro o suficiente como capital inicial de sua empresa. Foram muito otimistas, acharam que as vendas iriam bombar e o negocio logo se sustentaria. O maior erro, é achar que a grana vai entrar tão logo quanto o negócio for fechado com o cliente.
Negligenciar o ciclo financeiro de sua empresa é o maior erro que você pode cometer. Você nunca deve esquecer que o cliente pode atrasar o pagamento.

A dica: Além do investimento inicial para compra de equipamentos e demais despesas para colocar o negócio em funcionamento, você precisa de dinheiro em caixa: o seu capital de giro! Ao fazer seu planejamento, é aconselhável dispor na planilha que vai gastar provavelmente o dobro do que você tinha calculado. Nunca se esqueça de que sempre podem haver imprevistos. E não conte com a galinha antes dos ovos. Não espere que o seu negócio se sustente apenas com as receitas, pois elas serão menores do que você espera, lembre-se, existem perdas.

 

3. Errando na formação de preço

Esta talvez é uma das partes mais difíceis para os novos empreendedores. Como já falamos no post anterior, somamos os custos, jogamos a nossa taxa de markup (lucro + impostos + etc), e temos o nosso preço. Funciona? Claro! Mas não devemos ignorar o nosso posicionamento e valor no mercado.
A dica: se está começando, acabou de abrir as portas e já está cobrando mais caro que a concorrência, talvez seja difícil captar bons clientes logo de cara.
Avalie o seu posicionamento no mercado. Pra quem você quer vender? Como já dissemos no post anterior, não dá pra sair vendendo pra todo mundo. Como o seu cliente não te conhece, ele tem que pelo menos perceber o seu valor pela sua precificação. Não seja ganancioso. Talvez seja mais sensato trabalhar inicialmente com uma margem menor de lucro, até que você tenha um volume maior de vendas (projetos), assim, o seu custo operacional se dilui na quantidade.

 

4. Desequilíbrio no Ponto de Equilíbrio

Uma grande dificuldade é distinguir os custos fixos (aluguel e instalações) dos custos variáveis (materiais, comissões e frete). O resultado disso é acreditar que seu custo operacional vai se manter o mesmo independentemente das vendas.

Acreditem, existem empresas que quebram por ter crescido demais.

A dica: mais uma vez, EXCEL, seu relacionamento com as planilhas deve ser tão bom quanto com o Photoshop, Illustrator ou Flash. Separe bem as contas de custo fixo dos variáveis. A medida que o seu volume de projetos for crescendo, e a sua empresa precisar de mais colaboradores, avalie cautelosamente o volume de vendas necessárias para justificar a compra de novos equipamentos ou a contratação de um novo colaborador.

 

5. Não calcular no orçamento seu próprio salário

Não colocar o seu salário nas projeções de seu próprio negócio, deixa o seu custo e ponto de equilíbrio baixo, o que pode animar quem está começando. Afinal de contas, “eu sou patrão, não preciso me pagar, eu me pago com os lucros!” – ninguém nunca pensou nisso?

Um pensamento como este pode ser fatal para qualquer e todo negócio.

A dica: num post anterior, já comentamos que ninguém deve trabalhar de graça e o seu salário deve ser orçado no seu custo operacional. No primeiro ano, a sua nova empresa provavelmente não terá lucro positivo. Mesmo que não tenha dinheiro em caixa para pagar o seu próprio salário, esta conta deve estar presente na sua planilha. Você nunca deve esquecer que o lucro, é da empresa, e não seu. Por isso, é interessante abrir duas contas no banco, uma pra você, pessoa física, e outra para o seu negócio, mesmo que seja uma empresa de uma pessoa só.

 

Fonte: http://www.entrepreneur.com/article/219368
Imagens: Google + Flickr

  • Abel Chang

    Formado em desenho industrial pela PUCPR e gestão de negócios pelo IBMEC/EBS Curitiba, sou poliglota (mandarim, cantones, portugues, ingles, espanhol e japones), fui professor de projeto de produto na Universidad Nacional de Asuncion. Aqui no chocoladesign vou falar de temas relacionados a empreendedorismo, gestão de negócios e gestão financeira para profissionais autonomos. Duvidas? Me procura no Twitter ou no Facebook.

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    COMENTÁRIOS

    • http://jaci.coningham.net Jaci

      Engraçado, estava ouvindo exatamente isso na CBN pela manhã ;) Uma dica que deram também foi a de evitar ao máximo o cheque especial – juros, pessoas, juros!!! Por mais óbvio que isso possa parecer, tem muita gente que se afunda não pelo valor das dívidas, mas simplesmente por não ter calculado o pagamento acrescido de juros no final.

    • Abel Chang

      tem um case muito interessante em curitiba, duma pizzaria.
      o cara tinha uma grana boa, e usou 80% do seu capital inicial em investimentos.
      pagou o imovel, a reforma, os equipamentos tudo a vista e conseguiu um desconto bom. com a seguinte ideia “não quero começar o meu negócio endividado”, parece legal, não acham?
      pois bem, o dinheiro restante, foi o suficiente para manter como capital de giro por uns 2 ou 3 meses, e logo que a pizzaria foi crescendo a demanda por insumos foi aumentando, mas o volume de receitas não era o suficiente. em pouco tempo o dinheiro que ele tinha separado para capital de giro se esgotou e ele começou a entrar no cheque especial.
      achou que com as vendas dos meses seguintes, pagaria as dividas e logo estaria em saldo positivo.
      infelizmente, não contou com os altos juros do cheque especial, e acabou fechando as portas no primeiro ano.

      isso foi uma pizzaria, mas da pra imaginar facilmente uma situação dessas, num escritorio ou estudio de design, não? :)

    • http://www.umascores.com Tereza

      Planejamento financeiro é o que falta para muitos freelancers. Banco é um negócio que quebra as pernas de qualquer um.

    • dovisk

      Dicas super relevantes!
      Valeu.

    • Renata Miwa

      Sempre acompanho o blog, mas hoje tive uma linda surpresa com esse post: a charge do meu tio no final do artigo. Muito amor <3

    • Emerson Lopes

      Realmente, uma dica ótima, muitas vezes queremos ter nosso proprio negócio, ser dono do nosso nariz, mais não damos a ateção devida a tais pontos, tão importantes

    • http://www.leiturassemcompromisso.com Luks Vieira

      Adorando as dicas…
      Att.,
      Luks

    • Eli

      Olá!
      Poxa, estou pronta para entrar numa sociedade.. nao tenho planilhas que me ajudem com isso. Vc teria alguma para me passar? Eu tenho uma grana para entrar junto ao local que ja existe, entao é facil saber os custos reais. Me ajude! Nao tenho planilhas para essa tarefa, tanto de capital incial como de break even, retorno, etc. Meu email, designer.eli@gmail.com
      @gm:disqus Se puder me ajudar, agradeço!
      Obrigada
      Eli

    • mariolcneto

      Só pra contar, sou administrador e estou abrindo um negócio de branding (Eu cuido da estratégia de marca e tenho uma designer que cuida da criação), então sinto bem isto na pele e vejo com muitos outros empreendedores que cruzei meu caminho…

      A melhor dica que dou é SEMPRE, mas SEMPRE desassociar a empresa do privado… Separe as contas, não use dinheiro da empresa para pagar contas pessoais (Mesmo que reponha o dinheiro no dia seguinte, sua empresa não é uma financeira), usar carro da emrpesa para viajar etc. Isto cai exatamente no capital de giro… Existe uma grande diferença entre pró-labore e lucro societário. Estime nos custos o seu pró-labore mensal e o de possíveis sócios… Qualquer lucro do ne´gocio virá como complemento de renda para você…

      Precifique também o custo de abertura de uma PJ (Pelo menos uns R$300 de taxas para o contador abrir a empresa, mais meio salário mínimo em média por mês para ele manter seu controle para fins de IRPJ e todos impostos sobre os notas emitidas), pois caso você cresça e de repente cair um grande cliente no seu colo, pega muito mal você comprar nota e repassar para grandes comporações…

      Tem muitos pontos que entram nessa questão…

      Abel, você podia falar um pouco sobre Lean startups que no caso de serviços é muito viável…