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    Branding Identidade Visual

    Fontes para Marcas (Pt.2) – Por Guilherme Sebastiany

    Continuando a série de posts sobre fontes para marcas, Guilherme Sebastiany explica sobre a importância de projetos tipográficos exclusivos como ferramenta de proteção e identidade visual de marca.


    “Que fonte é essa?”

    Talvez essa seja uma das perguntas que mais gostamos de receber na Sebastiany, principalmente quando a resposta é: “não é uma fonte, desenhamos as letras especificamente para esta marca”.

    Claro que há um certo orgulho na resposta acima, pois apesar de já ter lecionado sobre tipografia, e me aventurado em alguns desenhos de fontes (nunca terminados), nem eu nem ninguém no escritório é nem type designer, nem um especialista em tipografia. Estamos todos mais para desenhistas de letras.

    Mas não é o orgulho nem a vaidade que nos faz perder horas e horas ou adaptando uma fonte para uma marca, ou mais frequentemente, desenhando as letras do logotipo uma a uma do zero. É a necessidade do projeto que nos faz fazer isso. É por isso que escrevo este artigo: para estimulá-lo não apenas a conhecer mais sobre tipografia, caligrafia e desenho de letras, mas também a repensar a importância destas atividades no dia a dia de projeto das marcas.

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    Além dos pontos que já comentei na primeira parte deste artigo, existem outros motivos que nos empurram mais na direção do desenho de letras, do que no uso de fontes prontas em nossas marcas.

    Para começar, design é um ato de projeto e não um jogo criativo de combinações, encaixes, de tentativas e erros. Juntar 20 fontes totalmente diferentes e variadas ao lado de um símbolo até encontrar a que fique mais “bonitinha” não é um ato de projeto, principalmente quando as opções usadas são limitadas àquelas que estão no seu computador.

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    Identificar uma fonte para uma marca não deveria nunca ser um ato de sorte ou acaso, e sim de projeto. Ao se analisar as necessidades de comunicação de uma marca, é possível especificar (ou criar uma hipótese) das características desejadas, antes mesmo de desenhá-las ou procurá-las no myfonts: Devem ser caixas altas, baixas, versaletes ou unicases? Estendidas ou compactas? Pesadas ou leves? Com ou sem contraste? Eixo humanista, racional ou sem eixo? Sem serifas, semi-serifadas ou serifadas? E qual dos muitos tipos de serifas? Esporas? Tamanho de olhos? Qual a proporção das ascendentes e descendentes em relação a altura de x? Isso tudo sem contar em mais uma série de questões que podemos perguntar sobre anatomia e classes de fontes. E mesmo que respondamos todas essas perguntas em detalhes, será que essa fonte, exatamente como precisamos ou queremos, existe? E se você não é um especialista em tipografia, onde encontrá-la?

    Se existir, provavelmente ainda precisará de ajustes para se adequar a sequência de letras do nome. Se não existir, então a solução é desenha-las. Lembro-me do projeto de uma cafeteria que fizemos ainda em 2003 no começo da Sebastiany, e tudo o que procurávamos para o projeto era a fonte SAMBA, do Tony de Marco. Entramos em contato com ele, mas a fonte ainda não estava disponível para venda, e o projeto não podia esperar. Resultado, desenhamos (com muito sofrimento diga-se de passagem) o desenho das letras do nome uma a uma. Acho que foi a primeira vez que nos aventuramos de verdade pelo desenho de um logotipo, e valeu a pena!

    Mas existem outros motivos que tornam recomendável evitarmos o uso de fontes em marcas, e em nada tem a ver com design: A proteção jurídica e a originalidade frente aos concorrentes. O desenho das letras de uma marca só podem ser protegidos em seu registro se forem personalizadas ou originais. Ao usar uma fonte, a marca fica menos protegida e menos original, portanto um pouco mais vulnerável a cópia de concorrentes. Quando o símbolo é o elemento dominante na identidade, isso não é um problema, pode usar ou adaptar a fonte sem nenhum problema. Mas quando a grafia do nome tem um papel maior na identidade, usar uma fonte pode ser a porta de entrada de um concorrente parasita ou desleal. Mesmo sem plágio, ao usarem muitos a mesma fonte, a diferenciação entre as marcas de um mesmo segmento diminui, fazendo com que se pareçam similares e pouco diferenciadas aos olhos do consumidor.

    Com tudo isso não estou dizendo que você não pode ou não deve nunca usar uma fonte em uma marca. Afinal, as vezes usamos fontes em marcas na Sebastiany!

    Apesar de não serem feitas especificamente para marcas, fontes existem para serem usadas e para facilitar o nosso trabalho. Mas é importante estarmos atentos, primeiro aos ajustes de seu desenho e espaçamento para que funcionem bem em todos os usos da marca. E segundo, avaliar o quanto o uso da fonte é a solução realmente adequada ao projeto, ou apenas uma alternativa conveniente e fácil, apenas porque ela está já lá pronta para ser usada no seu computador.

    Mas então quando vale mais a pena usar uma fonte pronta em um projeto de marca? Bom, essa resposta ficará para a parte 3 deste artigo.

    Para ver o primeiro post da série, clique.

    Guilherme Sebastiany

    Imagens do post:

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    • Leonardo D’Luz

      =D
      venha logo o artigo 3
      Parabéns pelo blog está sensacional.