Paris, início do século XX. Georges Méliès gozava do status de ser um dos melhores cineastas do mundo. Um verdadeiro virtuoso, de enorme talento, atuava como ilusionista, diretor teatral, cenógrafo, ator, produtor, desenhista e figurinista, sendo percursor do cinema e do uso de efeitos especiais.
Foi ele quem construiu o primeiro estúdio cinematográfico da Europa, além de ser o primeiro cineasta a usar storyboards para projetar cenas de cinema. Foi importantíssimo para a história da sétima arte, tendo produzido mais de 500 filmes, inserindo a fantasia e a magia no universo da cinematografia.
Méliès criava mundos fantásticos e fantasiosos, realmente surpreendentes para a época em questão. Contemporâneo dos Irmãos Lumière, considerados os pais do cinema, estava presente na plateia que assistiu à primeira projeção de um filme na história.
Sua importância vai além do uso pioneiro de efeitos especiais, hoje tão disseminados no cinema, alcançando técnicas de filmagem, gêneros e temas abordados, até a influência no trabalho de grandes mestres, como Chaplin.
Não é por nada, mas vejo um pouco de designer no cineasta, principalmente em seus desenhos, ilustrações, cenários e figurinos:
Um grande exemplo de seu trabalho é o filme Viagem à Lua, 1902, uma de suas obras mais conhecidas:
http://www.youtube.com/watch?v=oYRemE9Oeso&feature=watch-now-button&wide=1
Filme este referência e inspiração descarada de um dos meus clipes preferidos, Tonight Tonight, do Smashing Pumpkins, dirigido por Jonathan Dayton e Valerie Faris:
O filme também foi referência para a apresentação de Katy Perry no Billboard Music Awards deste ano (aconselho ver no mudo):
Infelizmente, Méliès não teve sucesso em toda sua vida e após alguns anos no topo do mundo cinematográfico, entrou em declínio, e seus últimos filmes foram verdadeiros fracassos. O cinema havia mudado e as produções fantasiosas de Georges não emplacavam mais, levando-o à falência. A ira com a situação até o fez queimar grande parte de seus trabalhos, deixando pouco mais de 200 obras para a apreciação de outras gerações. A partir daí, Méliès passou a consertar brinquedos e vender doces em uma pequena loja na estação Gare Montparnasse, em Paris.
Só após algumas décadas voltou a ser procurado por jornalistas e teve sua obra reconhecida como fundamental para a história do cinema.
A fase decandente de Méliès é retratata no filme Hugo, ganhador de 5 Oscars, de Martin Scorsese.
Se você se interessou, aproveite para visitar a exposição inédita do cineasta, no MIS (Museu da Imagem e do Som) em São Paulo, que fica em cartaz até 16 de setembro.
MIS – Museu da Imagem e do Som












