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    Resenha: Linhas de Guerra

    Um paralelo entre um dos períodos mais sombrios da humanidade e a evolução do design gráfico e editorial.


    Para designers que decidem se formar da maneira convencional, durante toda a jornada pela faculdade, diversos projetos e desafios são desenvolvidos, tanto no decorrer do curso, quanto o famoso TCC. São oportunidades como essas que muitas vezes são ignoradas pelos alunos(eu inclusive), e podem ser oportunidades fantásticas para experimentar, criar e começar a produzir seu portfólio.

    Quem aproveitou essa oportunidade para um projeto incrível foi o Gustavo Vitulo de Belo Horizonte quando criou o “Linhas de Guerra”. Projeto final da disciplina de Prática Projetual III no curso de Design Gráfico da Universidade do Estado de Minas Gerais, sob orientação de Daniele Luz, Ricardo Portilho e Sérgio Luciano. O objetivo era associar um assunto específico com os elementos do design editorial, da curadoria do conteúdo até o processo de produção gráfica.

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    O projeto mescla acontecimentos da Segunda Guerra Mundial e suas influências no Design Gráfico e Editorial. A forma escolhida para essa comparação foi separando do lado esquerdo as mudanças no design e no lado direito, os acontecimentos da Guerra, tornando uma viagem n história e no design para o leitor.
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    O vermelho sangue é usado como cor base para assuntos de guerra tornando mais dramático e o preto e branco para Design relembrando os primórdios da impressão gráfica.

    Foi criado um grid baseado no mapa-mundi, com 24 subdivisões com manchas vermelhas criando um efeito que ajuda o leitor a ter uma maior imersão ao momento histórico que é trabalhado no projeto. Além disso o mapa é usado na sobrecapa do livro.
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    A capa traz em alto relevo as duas linhas do tempo utilizadas no miolo. A encadernação foi feita com capa dura e costura, que garante maior resistência ao livro – que tem caráter histórico e de referência e, portanto, será bastante utilizado.
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    Duas linhas do tempo distintas foram definidas. Para o editorial, um pontilhado que lembra o modernismo e para a guerra, tracejados que remetem às rotas dos mapas na época.

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    Para complementar a experiência, foram desenvolvidos alguns postais de momentos importantes da guerra, que sofreram algumas intervenções para simular o desgaste do tempo, como dobras, rasgos e queimaduras.

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    “O resultado é um livro-objeto que se torna uma metáfora da guerra, com dois eixos diferentes que se encontram em alguns momentos. O objetivo não é criar um conflito. Paralelismo seria mais adequado.” – Gustavo Vitulo

    Aproveitamos a oportunidade e batemos um papo com o Gustavo sobre a concepção do projeto e seu futuro:

    Como surgiu a ideia de fazer o trabalho sobre a Guerra? Esse trabalho foi em grupo?

    Como sempre fui fã de assuntos que envolvessem a Segunda Guerra Mundial, decidi fazer uma pesquisa sobre a sua relação com o design e notei que os dois sempre caminharam juntos, e que o maior conflito da história contribuiu intensamente para o desenvolvimento do Design Gráfico. A necessidade de meios de divulgação para influenciar as pessoas na guerra trouxeram novas possibilidades, novos estilos e movimentos que mudaram a maneira de pensar da sociedade na época. O trabalho foi individual e a demanda era que os alunos fizessem uma relação de qualquer assunto do seu interesse com o design editorial.

    Como foi o processo de produção e quais foram as principais fontes de pesquisa?

    A disciplina de Prática Projetual exigia uma série de etapas antes da definição do conceito e pré-produção do livro, como exercícios de construção e desconstrução de grids, formas, linhas, massas de cor e manchas tipográficas, para que os alunos pudessem se inteirar sobre o assunto e adquirir mais conhecimento. Também foram feitos alguns exercícios com revistas e outras publicações. Após a definição e aprovação do conceito, trabalhamos em outras etapas como desenvolvimento de painéis de referências, mood boards, definição de formato, espelho, paletas tipográficas, capa e materiais/processos de produção. Todo o projeto levou cerca de 4 meses. A principal referência em termos de conteúdo foram sites acadêmicos – a maioria em inglês – especializados no tema. As referências visuais vieram de livros sobre design editorial, livros sobre a segunda guerra e alguns sites como Behance e Pinterest.

    Qual foi a influência dos professores e orientadores no projeto?

    Gostaria de aproveitar a oportunidade para agradecer aos orientadores Daniela Luz, Sérgio Luciano e Ricardo Portilho, que me auxiliaram em todos os processos de conceituação e execução do projeto. Foram responsáveis por orientações pontuais sobre aspectos conceituais do livro, contribuindo para a resolução de vários problemas que surgiram no meio do caminho. Com eles passei por algumas etapas anteriores ao início do projeto, descritas acima, que me ajudaram muito.

    Quais as maiores limitações e dificuldades que encontraram na produção do projeto?

    A etapa de curadoria e produção de conteúdo foi uma das mais complexas, por exigir um conhecimento muito mais aprofundado sobre o design na época e sobre a segunda guerra. Um dos principais dilemas foi definir a maneira de trabalhar com dois conteúdos tão diferentes, e a solução proposta foi a de definir dois métodos de navegação distintos, baseados em duas linhas do tempo que se diferem pela forma, cor e tipografia. A definição do grid também foi complexa, e depois de analisar diversas maneiras, estudar todos os mood boards e referências, encontrei as latitudes e longitudes de um mapa-mundi como uma solução que encaixava perfeitamente com o conceito do livro.

    Como foi o processo de impressão dos materiais?

    O principal problema foi encontrar materiais e processos que se assemelhassem bastante com o aspecto da Segunda Guerra e do modernismo, movimento que surgiu na época. Com isso, decidi trabalhar com a referência de um diário de guerra utilizado pelos soldados, e todos os materiais se basearam nesse conceito, como a capa em couro com alto relevo, a luva em papel kraft, o papel texturizado (casca de ovo) e os postais. A encadernação foi feita com capa dura e costura, que garante maior resistência ao livro – que tem caráter histórico e de referência e, portanto, será bastante utilizado. Todos os materiais sofreram algumas intervenções manuais para simular o desgaste do tempo e a “sujeira” da Guerra.

    Que tipo de intervenções e técnicas você utilizou para deixar os impressos com aparência de antigos?

    Os postais foram impressos em papéis texturizados e sofreram algumas intervenções manuais. Foi um momento bem divertido até, pois descarreguei todo o cansaço de produção do livro, chamei uns amigos e começamos a rasgar, dobrar e queimar os papéis, em um processo bem aleatório. Os estragos da guerra são aleatórios, né?

    Quantas cópias do livro existem?

    Hoje, apenas uma cópia, que está guardada a sete chaves. Rs. Brincadeira, está bem exposta na sala do meu apartamento. =)

    Vocês pensam em produzir em maior escala? E se houvesse um investimento, algo como um crowdfunding?

    Não tinha a intenção até a publicação do projeto, mas a partir do momento em que as pessoas começaram a se interessar, comecei a estudar formas de publicação que não afetassem a qualidade do livro, devido ao seu caráter manual. Estou em contato com um estúdio especializado em edições limitadas na Espanha, e se der tudo certo o livro sai em português, espanhol e inglês em 2016. Mas o crowdfunding é uma boa alternativa, e estou viabilizando todos os custos de impressão em grande escala. Quem sabe?

    Como foi a repercussão e como foi o feedback do projeto na universidade?

    Foi super positivo! Curti muito ver a galera comentando e a repercussão na internet ajudou muito pra isso. Isso motiva os outros alunos a fazerem projetos legais, e não por obrigação. =)

    Pretendem criar uma série de História e Design para outros períodos?

    Claro! Pensei nisso assim que publiquei o projeto. Estou estudando assuntos que influenciaram a história do design gráfico e a minha intenção é produzir livros-objeto que relacionem os dois contextos.


    Eu não vejo a hora de ter o meu Linhas de Guerra em mãos, mas pra isso precisamos perturbar o Gustavo para que ele produza algumas cópias para venda. Eu com certeza teria esse e os próximos se seguirem essa qualidade em design, detalhes e conteúdo.

    E você? tem algum projeto pessoal, de faculdade que gostaria de ver por aqui? Enviem seus projetos que será um prazer divulgar a todos os chocólatras que nos visitam buscando inspiração.

     

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    • Trabalho incrível!!

    • Luciana

      Que interessante!