Metro: o novo Windows

23 de março de 2012 Design de Interface, Usabilidade 12 comentários

Metro não é o nome do novo Windows. Metro é estilo do novo OS da gigante da Redmond. Todo o anúncio do lançamento de um novo Windows pela empresa do linguarudo Balmer não tem mais criado tanta expectativa. Afinal, o Windows não é mais visto como sinônimo de inovação. De verdade, a última versão que usei e gostei foi o XP. Depois disso, foram só repetições. Ok, o OS da Apple também é bem parecido há anos, sem muita variação. Mas uma coisa é clara para mim: a Microsoft se repete, mas não corrige e melhora, ao contrário da sua principal concorrente. Mas sinto cheiro de mudança no ar.

Certa vez, Jobs disse que “o problema da Microsoft, é que eles não tem bom gosto”. De fato, o Windows nunca foi sinônimo de beleza e facilidade de interação. Você acha lógico clicar em “Iniciar” para desligar o computador? Mas, as coisas mudam, designers mudam  e usuários mudam. Assim, a nova proposta do Windows chama atenção. Mudou tudo, literalmente.

A proposta do novo estilo é converger tudo numa coisa só. PCs, tablets e smarthphones terão o mesmo padrão visual. A ideia da gigante de Redmond é fazer com que a experiência do usuário seja a mesma em aparelhos diferentes. Vai notar que o Windows 8 é praticamente igual em todos esses devices.

Para começar, a tela inicial do novo Windows. Particularmente, a interface é muito bem feita e de um bom gosto excelente. O esquema das “janelas” dá uma facilidade de acesso nunca vista antes no Windows. A proposta é bem agresiva, levando em conta que a gigante de Redmond não é uma empresa conhecida por audácia em design:

Os designers da Microsoft foram para o caminho inverso da outra gigante, aquela de Cupertino. Esta faz a opção pelo realismo, aproximando cada vez mais a interface com o que conhecemos e usamos. Os Apps da Apple estão repletas de textura e realismo. Tudo em nome de permitir que a pessoa se sinta mais a vontade, como que se usando algo que realmente saltasse da tela para o mundo real. Já o estilo Metro propõe algo mais digital, sem textura, brilho. Até a iconografia foi pensada assim. (A iconografia é um post a parte. Falarei posteriormente sobre a nova iconografia adotada pela Microsoft)

A rolagem da tela inicial é toda horizontal. E para permitir que o usuário perceba isso facilmente, ponto para os designers do Metro: elementos ficam cortados no canto direito, o que dá entender que há algo mais ali. A barra de tarefas deixou de ser a “barra burra”. Agora você não precisa mais acessar menu após menu para achar o que deseja. É tudo mais rápido e simples. Esse modo de menu foi chamado de Charms. Basta usar o cursor ao canto direito da tela, como a Apple e o Linux vem fazendo a tempos. Facilitar o acesso de Apps e funções mais acessadas foi mais um acerto. Aprenderam essa lição.

A busca de Apps ficou mais bem desenhada também. Mas tudo bem. É  só uma lista simples com os Apps. Mas se tratando da Microsoft é um grande avanço. Antes, procurar os Apps num canto esquerdo minúsculo como é atualmente, não ajudava em nada. Ter uma visão geral dos Apps foi uma boa sacada.

Mas, apesar de toda essa beleza, há erros. Alguns grosseiros. A pior na minha opinião é: como eu fecho um App? A inteligência por trás do Windows 8 diz que se deixo de usar um App aberto por muito tempo, ele fecha sozinho. Péssimo. E se lá estiver uma informação importante que usarei mais tarde no meu trabalho? É como anotar um telefone importante num papel e alguém jogar fora só porque não liguei ainda. Mas e se eu realmente quiser fechar o App? O uso do “X” para fechar é universal. Usar isso diminui em muito a curva de aprendizado. Agora, não ter esse elemento vai fazer muita gente quebrar a cabeça. Mas eu conto como fazer. Basta clicar no topo e arrastar o App para a extremidade inferior. Porém, na antiga mesa de trabalho, o “X” está lá, o que nos leva a outra falha.

O Metro não “converte” a interface de programas já existentes e nem todo o restante do Windows. Por exemplo, elementos padrões do Snow Leopard da Apple são convertidos automaticamente para o Lion. Isso não acontece no Metro. Ainda há resquícios do visual velho do Windows lá. Dá a impressão que esqueceram de desenhar algo. Ou então, alguns programas simplesmente não foram redesenhados. Em imagens a cima, perceberá que o ícone de Store e Internet Explorer estão de acordo com todo o design proposto. Mas vai perceber que o ícone do Windows Explorer não teve alteração. Destoa de todo o resto, assim como o Desktop. Até a “barra burra” está lá, ainda, e continua igual ao velho Windows, com seus ícones horrendos. Se a proposta é um design novo, que jogue fora o velho. Pode ser que a estratégia do pessoal do linguarudo Ballmer queira suavizar a transição de uma interface para outra. Ainda assim, se for este o caso ou não, é uma falha em termos de estética na minha opinião.

Enfim, o Windows mudou. Pelo menos a interface. Gosto desse novo caminho. Não sou daqueles que torce para o fracasso deles. Me agrada em saber que estão, de fato, agora valorizando o design. Só espero que por trás de toda essa beleza, não seja o velho Windows que conhecemos.

  • Mayer

    Eu sou o Mayer. Sou designer gráfico há 11 anos e há 10 trabalho como freelancer em São Paulo. (sim, é possível viver só de freela). Minha formação profissional é publicidade e propaganda, mas é no design gráfico minha principal atuação. Estudei fotografia na Escola Panamericana de Artes de São Paulo e atualmente trabalho com Design de Interface e Programação para iPhone/iPad e Android. Discussão sobre futebol (regado a Coca-Cola) e boa música, sempre. Por aqui, vou escrever sobre o Design das interfaces móveis.

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    COMENTÁRIOS

    • http://twitter.com/GuiHarrison Guilherme Harrison

      Interessante demais. Eu diria que eles estão finalmente aprendendo o que é design. Sempre ficava furioso quando abria o Office (conheço até o 2010) e via na aba Design, somente opções de aparência, como se este fosse opções para deixar seu documento bonitinho. Mesmo com a falta de sucesso (fracasso também não é) do Windows phone, este serviu como uma referência extraordinária para como uma interface deve ser.

    • Luciano Romansk Filho

      Enfim, uma interface diferente no meio de tantas repetições…

    • Andressa Lisboa

      Perfeita a analise. Imparcial. Até que enfim um MacUser que fala bem do Metro. Pois o que vejo são designers fanboys da Apple torcendo o nariz para outros estilos. Parabéns Mayer! E bem vindo de volta!

    • http://twitter.com/limonadegas IGOR isso msm

      Essa parada das aplicações fecharem sozinhas é horrível. Eu não usaria esse OS só por causa disso.

    • http://www.facebook.com/mardenjump Marden Jump

      O que vai aparecer de sites usando essa onda do Windows 8 não vai ser brincadeira!

      • Andressa Lisboa

        Já aconteceu algo parecido quando o design de interface do iPhone se popularizou. Todo mundo queria uma cara “Apple-like”

    • Gustavo Moura

      Mayer Você voltou! Seja bem vindo de volta!
      E mais uma vez, um excelente artigo! Mas é sério que o SO fecha os programas sozinhos? “Uma vez Windows, sempre Windows”

    • Perdro Lacrosa

      Até que enfim tio Bill um design de verdade!

    • Matheus M Rossi

      é, vi que defende a Apple em alguns pontos, mas sai recentemente do MacOSX Lion justamente por não gostar da ultima atualização, me fez sentir a mesma coisa quando a Microsoft lançou o vista, muita proposta e pouco desempenho. Enfim, quanto ao Windows essa ainda nao é a versão toda definitiva, ainda podem corrigir esse sistema de fechar aplicativos, que no post não está bem explicado, os apps abertos, quando minizados entram em “stand by” sem usar recursos do processador e memória, assim como o iPhone e iPad fazem atualmente.

    • http://www.facebook.com/people/Maíra-Melo/100001734109951 Maíra Melo

      Acho que em termos de design o Metro supera bastante e sem comparação as versões anteriores, mas em questão de usabilidade sinceramente prefiro continuar com minha linda versão 7. Parece que está faltando pesquisa de público alvo para eles, porque eles sempre erram em um ponto. Idealização ou não ao querer que eles errem menos {já que nada é perfeito nesse mundo}, Metro não entra aqui em casa.

    • Plínio Brunelli

      Legal, Fábio.

      Gostei da sua análise e concordo praticamente com tudo o
      que disse.

       

      Na matéria, você diz “elementos padrões do Snow
      Leopard da Apple são convertidos automaticamente para o Lion. Isso não acontece
      no Metro.”

       

      Isto realmente não acontece no Windows e a velha “barra
      burra” continua lá, por um motivo básico:

      Aplicações desenhadas no estilo Metro, são escritas
      usando-se as seguintes linguagens:

      - HTML5, CSS3 e JavaScript

      - XAML e no code-behind, linguagens como C++, C# ou VB

      - DirectX estilo Metro usando HLSL e C++

       

      As muitas aplicações que rodamos hoje, no Windows 7,
      continuam sendo criadas em Windows Forms e não são de nenhuma forma, compatíveis
      com as novas tecnologias acima mencionadas. Não é possível convertê-las a partir de um código
      compilado. Talvez, com o código fonte em mãos, haja alguma ferramenta que
      converta por exemplo, para XAML. Desconheço no momento.

       

      Imagine a M$ lançar um novo Windows incompatível com as
      muitas aplicações domésticas e corporativas atuais. Seria dar um tiro no pé.
      Acho que está aí um “bom motivo” para manter a “barra
      burra”. Pelo menos, por enquanto.

    • Wegawoox

      Mac User forever!! por mais que a Microsoft copie a Apple, sempre serei uma Apple User (nunca gostei de PC usando Sistema Operacional genérico, o mesmo para Smartphones!!). Estou muito feliz com meu iMac e iPhone. abraços!