Não é um porta-retrato digital

7 de fevereiro de 2011 Digital Signage 3 comentários

Uma das regras que TODO designer deve seguir é: entenda o suporte. O que adianta você ter uma arte linda e maravilhosa se ela não dialoga com o suporte pretendido? É como querer usar papel couché pra uma pintura com aquarela. Com o digital signage não é diferente.

Aqui no Choco fica até fácil pra quem não é da área entender o que está envolvido no digital signage, afinal, estamos falando de motion design. Mas, como no mundo “lá fora” nem todos estão cientes dessa ligação, não é difícil ver por aí o mau uso da tecnologia –  mesmo quando temos tecnologia de sobra!

Talvez um dos problemas seja o fato da sinalização tradicional ser estática, e aí, na pressa, a passagem de um para o outro não se dá por completo, resultando então no que eu chamo de “porta-retratos digitais”: artes sem vida, apenas ali esperando que alguém as note, com talvez uma ou outra transição mais engraçadinha e… só. Quando muito alguém ainda tenta usar alguns dos efeitos já disponíveis no After Effects, mais ou menos como a história dos logos em 3D com degradê e sombra; cortesias do CorelDRAW =P

De uma forma bem simples, o digital signage faz uso de telas que permitem a exibição de conteúdos digitais por determinados períodos de tempo. A palavra-chave aqui é tempo, e tempo é o que usamos em vídeos, logo, a linguagem que deveria ser usada é a linguagem dos vídeos, ou seja, movimento.

Não importa se as telas estão dentro de um ônibus, no aeroporto, no metrô, na padaria, no shopping, na academia; também não importa se a tela for vertical, horizontal, quadrada ou uma combinação de telas… O conteúdo deve ter movimento e, o que é mais importante, planejamento do movimento, ou, motion design!

Muitas vezes as telas são usadas em redes de fast food, para disponibilizar as fotos do cardápio ou dar destaque à oferta do dia. Tudo bem que não se pode dar movimento a tudo, mas uma ou outra coisa vale a pena: atrai o olhar pode significar uma venda a mais. Mostre os ingredientes formando a oferta do dia, mostre algum detalhe, mas não deixe tudo parado! A tecnologia está aí pra ajudar tanto a fazer mudanças rápidas no cardápio como dar aquele “tchan” que o suporte anterior não permitia: una a praticidade a algo interessante! Se alguém usar a ideia dos ingredientes, solicito 25% de comissão. Obrigada.

Quando comecei a trabalhar na área, a primeira coisa que me falaram foi: “aqui trabalhamos com vídeo, então sempre tem algum movimento”. Parece um tanto óbvio, né? Mas confesso que na maioria das vezes vejo composições que poderiam muito bem ter saído do Power Point espalhadas por aí…

Como pra mim é antiético mostrar um trabalho que reside no “lado negro da força”, vou mostrar pra vocês um vídeo que fizemos no estudio e dizer porque ele funciona:

Em colaboração com Chico Colares, responsável pelo 3D e efeitos especiais.

Esse vídeo faz parte do acervo da Bridge Content Provider que tem como público alvo, nesse caso, pessoas em salas de espera, como em hospitais. A falta de uma trilha sonora não é falha técnica: apesar de algumas telas terem saída para áudio, seu uso num ambiente com várias pessoas traria pouquíssimos benefícios, sendo mais uma forma de poluição sonora.

  • Como não é incomum ouvir notícias de pessoas que foram arrastadas pela enxurrada ou sugadas por bueiros, o vídeo tem um visual mais pesado, que traz a ideia de perigo;
  • Já que a intenção é passar uma atitude positiva com as dicas, equilibramos o vídeo com o uso de um guarda-chuva todo saltitante;
  • Por fim, é preciso atrair a atenção das pessoas, que provavelmente já estão morrendo de tédio ao esperar para serem atendidas, e é aí que entra a força do raio: o olho percebe com maior facilidade esse clarão que surge sobre um fundo escuro.

Ao entender a linguagem do vídeo e saber até onde o suporte permite a nossa exploração, podemos fazer uso de diversas ferramentas e tecnologias. É assim que passamos uma mensagem =)

Não é preciso matar as pessoas de tédio quando o suporte permite que voemos mais longe. Somos bombardeados com tantas informações que é preciso SIM sair de dentro da caixa para receber alguma atenção.

Um outro bom exemplo que dou, pra ninguém dizer que estou puxando sardinha pro lado do estudio =), é o livro Alice para iPad. Oras, se o iPad é um suporte interativo, vamos fazer um livro interativo!

Se você sempre fizer a pergunta, “até onde posso ir com isso?”, seus projetos poderão ganhar novas dimensões.

  • Jaci Coningham

    O design provavelmente já estava no sangue, com várias pessoas na família ligadas a comunicação e artes, mas só descobri o que significava ser designer em 2002, na faculdade. Já trabalhei com jogos, fiz editoração, dei aulas e agora sou diretora de arte na área de motion design. Pratiquei hipismo clássico por 13 anos e minhas bandas preferidas são Pantera, Machine Head, Bad Religion, Millencolin e Beach Boys. Pra saber mais: Portifólio e Facebook. =)

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    COMENTÁRIOS

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    • http://chocoladesign.com/ Aline Bottcher

      filha, o livro Alice pro iPad me deixou um pouco doida com as possibilidades, sabe? Chega a assustar um pouco… Ainda mais que eu tenho uma quedona por livros impressos, tenho medo que eles sejam substituídos… :( mas provavelmente isso não vai acontecer… acho que vão andar lado a lado…. mas seu post nem era sobre isso.. mas.. enfim. hahahaha

    • http://jaci.coningham.net Jaci

      Hahaha sei como é isso… Eu sou muito mais a favor de livros impressos (apesar que teria sido maravilhoso poder carregar todos os livros do colegial no iPad), mas, do jeito que é complicado desenvolver um livro todo interativo como Alice, pode ficar tranquila que os nossos queridos ficarão por aqui um bom tempo ainda!