Muitas pessoas conhecem Salvador Dalí apenas por suas obras surrealistas pintadas em telas e expostas ao redor do mundo, mas não sabem que ele deixou seu talento gravado em capas de revistas de moda e beleza por muitas décadas. Suas obras, com excelente qualidade plástica, combinam fantasia e erotismo na constante busca pela expressão do sonho, do inconsciente. Visando essa qualidade artística, muitas publicações que ainda hoje são grandes nomes, como Vogue e Playboy, contrataram os trabalhos de Dalí para elevar o status de suas capas a níveis artísticos.
Vejam algumas capas de Dalí para VOGUE, feitas entre 1939 e 1971:
Em 1973 para PLAYBOY, Dalí também fez inúmeras capas surrealistas. Questionado sobre suas capas bizzaras e pouco comuns para uma publicação adulta masculina ele diz: “O significado do meu trabalho é a motivação do próprio – o dinheiro. O que eu fiz para a Playboy é muito bom, e seu pagamento está à altura da tarefa”.
O objetivo das revistas de moda e beleza é mostrar um universo que na maioria das vezes está longe do mundo real de muita gente, são assuntos e imagem envoltos a fetiche, beleza, dinheiro, perfeição, viagens e desejo. Podemos pensar então que a intenção dessas publicações não está totalmente desassociado das ideias de Dalí, já que ambas discutem o SONHO. A diferença está na forma como esse sonho é ilustrado, nas revistas vemos lindas mulheres usando vestidos maravilhosos em lugares paradisíacos ou mulheres nuas com corpos esculturais em poses provocativas.
Foi aí que nosso ilustre artista foi convidado pelas revistas para criar capas nada convencionais e assim chegar ao grande público. Ele desafiou o tradicional, descontruindo a composição clássica das capas, mas mantendo suas referências. E assim, Dalí conseguiu alcançar além do desejos de consumo, o desejo artístico nas publicações. Esse envolvimento com a cultura popular, fez o nome do artista chegar a grande massa e nos deixou incríveis referências editoriais artísticas.
via Idéia Fixa e Insônia









