Na semana anterior, escrevi um artigo sobre insetos e sua importância no design de produto. Muita gente gostou desse novo olhar; não apenas sobre os insetos mas também pela possibilidade de usar a natureza como fonte de inspiração. Talvez isso possa parecer novidade num momento em que achamos que estamos tão desenvolvidos que já não fazemos parte de um conjunto natural, mas nem sempre foi assim.
Quem estudou história da arte deve se lembrar da revolução que foi a descoberta de que, a uma distância cada vez maior, os elementos ganham uma coloração azul, e que isso trouxe um grau de realismo maior às pinturas. Também deve se lembrar do momento em que a Revolução Industrial e a Natureza se encontraram, através do Art Nouveau. E que momento maravilhoso quando o movimento pôde ser fotografado e o que isso significaria para os trabalhos de animação, como os personagens cheios de vida da Disney.
Quero apresentar a vocês uma pessoa que, de tanto observar a natureza, foi capaz de fazer desenhos incríveis sobre as mais variadas formas de vida: Ernst Haeckel.
O primeiro contato que tive com seu trabalho foi na biblioteca da faculdade, onde encontrei um tal de “Art Forms in Nature”, enquanto buscava inspirações para meu TCC. Dentre todos os livros que encontrei por lá, esse foi um dos meus favoritos, ficando lado a lado com meu outro xodó, “Design for the Real World”, do Victor Papanek. Nem preciso dizer que encontrei a inspiração que precisava =)

Ernst Haeckel (1834-1919) era biólogo, naturalista, filósofo, fisiologista, professor e artista, responsável pela descrição de inúmeras novas espécies e pela criação de um termo que nós ouvimos muito no começo dos anos 90: ecologia. Foi uma figura realmente fascinante e sugiro a todos que procurem seus livros, pois vale a pena manter na biblioteca (aqui tem uma lista dos ítens disponíveis na amazon.com).
Abaixo, os “desenhinhos” usados para registrar novas espécies e tantos outros seres que encontrava pelo caminho:








Vale a pena notar as composições, as cores, as formas, a facilidade em comparar os diferentes seres em uma mesma ilustração, enfim, TUDO nesses desenhos é digno de atenção e admiração.
Tal grau de precisão só é possível através de uma coisa: observação, MUITA observação. Não estou falando de “observação com os olhos”, mas a observação que reúne o olhar e o movimento – o movimento da mão que registra todos os detalhes percebidos num pedaço de papel. O poder de observar, de conseguir encontrar os detalhes que tornam determinada forma especial, é uma das características mais importantes a qualquer designer.
Ficou com vontade de observar? Entregue-se a ela!
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