Oi? Concurso? Não, obrigado.

19 de abril de 2012 Artigos 17 comentários

Queridos fãs do doce de cacau, no texto de hoje trago para vocês alguns questionamentos que sempre me fiz quando vejo alguma empresa (órgão público ou etc.) divulgando um concurso de logotipo (ou qualquer outra coisa relacionada). Mas, antes de mais nada, gostaria de deixar claro que essa é a minha opinião.

A principal teoria é a de que a pessoa responsável pela comunicação desse determinado lugar pensa e conclui: “Como podemos desenvolver um logotipo que seja satisfatório e relativamente barato? Opa! Faremos um concurso!” É óbvio, essa é a maneira mais fácil de ter uma penca de opções a troco de, na maioria das vezes, premiações irrisórias.

Existe um ditado que diz: “Se conselho fosse bom, não se dava, vendia.” Mas, mesmo assim, esboçarei um em forma de opinião. Design não é um esporte e, portanto, não pode ser uma forma de competição. A construção de um logotipo ideal requer uma dedicação minuciosa para que o resultado não seja um grande fiasco. Muitas vezes o responsável pelo concurso não dispõe nem de um breve histórico da organização para o embasamento da criação.

Certa vez tive acesso a algumas peças inscritas em um determinado evento desses e, logo de cara, percebi que a criação vencedora não era, nem de longe, a melhor opção para aquela determinada organização. Acho que isso pode ajudar a entender o porque desses concursos ainda acontecerem. Explico: se mesmo com opções melhores e mais condizentes com a proposta da empresa, o responsável escolheu uma outra, conclui-se (pelo menos para mim) que ele não entende da importância de um bom logotipo e das consequências que uma escolha errada pode sair muito caro.

Por outro lado, muitos dos criativos pensam de uma forma natural, mas (para mim) péssima, “Ah, vou participar, não tenho nada a perder mesmo”. Mas, não! Além de tempo, você pode não perder muita coisa tangível, mas indiretamente estará assinando um atestado de trabalhador de ocasião (conceitos by Leonardo Laruccia, hahaha), ou seja, aquele que trabalha a princípio de graça, mas se der certo (0,01% dos casos), você pode ser contemplado por um prêmio mais ou menos.

Por fim irei contar um caso engraçado. Há alguns anos, trabalhei em uma empresa de design e essa abrigava um leque de profissionais bastante competentes. Certo dia, um dos funcionários virou para o outro e diz: “Você viu o tal concurso da tal empresa? Nossa, o vencedor foi um plágio e, ainda por cima, de muito mal gosto!” Mas, aí que vem o baque: esse outro vira para o primeiro e responde: “Vi sim. Eu fui o vencedor.” Nesse dia me lembro de ter escutado o canto dos grilos por, pelo menos, umas 5 horas seguidas. Portanto, lembre-se, por mais que você pense que isso nunca acontecerá com você, sempre considere a hipótese de que as paredes tem ouvidos ou, até mesmo, que o colega ao lado possa ser um concurseiro, rs.

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  • COMENTÁRIOS

    • http://twitter.com/AmandaBritodiz Amanda Brito

      Discutiu com bastante propriedade o assunto, Leo. Eu também sou terminantemente contra concursos eletivos em projetos. Projeto envolve planejamento, que envolve feedback do cliente, que envolve implementação. Não existe um projeto de design sem essas etapas, não existe um contrato profissional de confiança mútua através de um concurso. O código de ética da ADG prevê esta questão e os concursos continuam a insistir. Agora com a profissão regulamentada, será que vai haver um basta nisso?

    • Ronan

      Hahaha! Queria ver a “logo plagiada e de muito mal gosto” agora. kkk

      Ótimo artigo.

      Não tenho coragem de participar de concursos. Acho que é como jogar um punhado de milho pra um única galinha – que no caso, é a empresa, que pode ciscar à vontade.

      • Isaque Pereira

        concordo plenamente Ronan.
        Não vi melhor exemplo do que o seu…
        galinhas safadas’ hahaha

      • Rafael Cerveglieri

         ”logo” é uma palavra masculina. É O logo. LOGOTIPO, não LOGOMARCA, que é uma redundância (tanto “logos” quanto “marka” significam “sentido, significado”) e uma mistura etimológica de saxônico com latim.

    • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000261179161 Gustavo Pergoli

      É o analfabetismo visual pela parte das industrias…não sei se isso um dia mudará, mas se mudar, vai demorar :/

    • http://twitter.com/laine_guedes Elaine Guedes

      engraçado ver esse assunto comentado aqui, muito bem argumentado por sinal , mas me recordo q  alguns dias atras , o próprio chocola fez um  concurso muito esquisito pra MMs , de ilustração , que divulgaria , claro a marca, e em troca o ilustrador ganharia míseros 3 kilos de chocolate kkkkk kkk estranho né ?

      • Julia

        Nó é mesmo KKKKKKKKKKkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

      • Cintia

        E olha os grilos aí cantando novamente..kkkkk

      • Rogerio

        eu pensei a mesma coisa :P

    • Thiago

      Ilustrações em troca de chocolate entram nesse mérito também? 
      ¬¬

      • Favero

        verdade!

    • Teste

      testando

    • http://www.facebook.com/people/Denis-Ronan-Rocha/1837118345 Denis Ronan Rocha

      KKK, o pessoal atira pedra mas esquece de olhar a si próprio. Lembro desse concurso de ilustração. Não sou contra, e acho uma ótima oportunidade de quem é novo na área de mostrar um pouco do seu trabalho e treinar mais, depois de um tempo o cara não precisa mais participar de concursos porque ja estará com sua carreira e seu estilo consolidado. É minha opinião, não preciso concordar com a maioria.

      Gosto do blog, gosto dos artigos, e esse é um assunto muito importante a ser discutido.

    • Alex

      Considero muito mais uma estratégia de relacionamento e aproximação da marca com o consumidor, o nome disso é Crowdsourcing, e foi muito bem aplicado em casos como o logo da Starbucks.

      Claro que, como você disse, “essa é (também) a maneira mais fácil de ter uma penca de opções a troco de, na maioria das vezes, premiações irrisórias.”, sendo utilizado por empresas puramente “Corte-de-Custos”.

    • Soueu_85

      E que tal uma empresa que promove uma verdadeira gincana para uma vaga de emprego? Participei de uma seleção que parecia aquelas maratoras de colégio… Com vários dias, várias etapas e PASMÉM, pontuações… Com perdas e ganhos e pontos de acordo com seu desempenho.. A primeira etapa foi uma PROVA de redação, conhecimentos gerais, conhecimentos específicos, idiomas e algumas perguntas que eu não sei onde se encaixam…

      Quem passou pela primeira fase, recebeu um e-mail com orientações para a fase seguinte:

      Produzir a identidade visual da campanha de São João da empresa… Tinha que fazer uma marca estilizada, um banner e mais algumas peças gráficas…. Você tem 3 dias para desenvolver tudo e enviar com horário marcada, sendo que o atraso de 10 minutos acarreta na perda de 50 pontos no placar geral.

      Pensa que acabou? Não! Agora vem a melhor parte…………. Se você passar nessa etapa, você tem que ir apresentar e defender seu trabalho pessoalmente.

      Pronto.. agora sim, você passou pela fase e já foi contratado #pegadinhadomalandro

      Você ainda passa por uma entrevista tecnica e também por uma entrevista de com o RH. É quando finalmente eles falarão do salário, até então desconhecido.. Na verdade você informará sua pretensão salarial.

      Se você conseguir atravessar todo o campeonato, talvez você seja contratado, pois só é UMA vaga, para uns 10 concorrentes…

      A pergunta que fica é… Vocês concordam com esse tipo de “entreviscana”??? Eu acho válido ter uma “filtragem”, mas vocês não acham que é um exagero? A sensação que me dá é que eles estão se aproveitando disso pra fazer a campanha da empresa… Estou aqui pensando sinceramente se quero participar disso, parece até que tô me prostituindo e a clientela só paga se curtir.

      O que acham?

    • Cassiavornez

      Eu acredito que se formos entrar no mérito de profissões x concursos encararemos que todos eles são desleais com os profissionais. Afinal, os concursos de “crie uma música” são injustos com os compositores, os de “crie um texto” são injustos com os escritores, jornalistas e os de “crie um vídeo” injustos com os produtores. 
      Acredito que o principal fator para a criação de uma campanha assim é o envolvimento com o público final e a disseminação da marca, criando aquela sensação de “eu também posso participar mesmo não estando em uma grande agência”. Até porque, acredito que grandes marcas percam mais com a auditoria, premiação, divulgação de um concurso do que contratando uma empresa pra desenvolver o logotipo.
      Eu entendo a sua opinião, porém não concordo.

    • Cassiavornez

      Olha, sinceramente, como profissional e também como contratante, eu acho válida as etapas. Trabalhei na Globo alguns anos e as etapas também eram longas para entrar, 7 etapas para conseguir a vaga. Fui muito mal na primeira etapa, pois não sabia falar inglês e uma das provas era sobre isso. Tinha certeza que não iria passar, mas no fim das contas, esta prova de inglês era apenas para avaliar como a pessoa se comportava em situações estressantes (já que a vaga não iria precisar de inglês, mas precisava de nervos fortes para aguentar a barra). O que valeu no processo é a junção de todas as etapas, que se complementavam. 

      Por exemplo, numa das etapas você cita que eles pediam a criação de peças e determinavam um tempo para a entrega e a perda de pontos caso não fosse realizado dentro do horário, isso pra você pode parecer maçante e cansativo, por você querer desenvolver um bom trabalho, porém, o foco da empresa é realmente o tempo, a sua capacidade de cumprir horários, de ser pontual. 

      Para a fase seguinte que você descreve, talvez não seja necessário, por exemplo, ser um “vendedor” da marca, mas pode estar sendo avaliado por como se comporta em público, como se comporta através da pressão que alguém pode fazer em relação a sua ideia e coisas do tipo…

      Você mesmo cita que haviam 10 concorrentes, como vocês mesmo avaliaria qual é o melhor dentre estes 10?! Apenas por um portfólio que muitas vezes é montado em cima de trabalhos realizados por agências onde sua participação foi de uns 10% e olhe lá?