Calma! Não é porque ninguém entende esse seu gosto meio excêntrico – esses extraterrestres que não entendem a beleza do design pelas cores e estética – que você não compreende uma faixa de demanda no mundo acadêmico. Todo mundo sabe e ninguém é louco: temos universidades de design, mas não vamos comparar a oferta do curso de Administração (nada contra, eu própria já fiz) com a de Design (gráfico, digital, web, produto, interiores, etc) e Desenho Industrial.
Considerando que você, leitor, tenha interesse em ingressar academicamente de cabeça na esfera criativa, ou simplesmente dar continuidade aos estudos (aos já formados, este post é pra todos!) botei fé que seria uma boa falar sobre o que nos é oferecido aqui no Brasil.
Segundo as estatísticas do Ministério da Educação, no país, existem 463 cursos de design sendo ofertados. Vamos comparar? Citei o curso de Administração, e já é possível supor a disparidade. O curso de Administração (habilitação em marketing incluída) conta com 3.424 ofertas Brasil afora.
Parece que somos poucos, né? Mas todo ano são jogados em média 14.000 novos formados no mercado.
Comparar com outros cursos mais ou menos tradicionais é inútil, não obstante é necessário observar que alguns cursos já têm suas profissões regulamentadas (como Fonoaudiologia, com apenas 115 cursos ofertados, cuja profissão foi regulamentada em 1981) apesar de ter apenas um quarto do todo de profissionais no território brasileiro exercendo a profissão de diretores de arte e afins.
“Na minha cidade não tem Design.”
Na minha cidade (Natal/RN, extremo nordeste) quando eu terminei o ensino médio não tinha nenhuma. Comecei Administração com habilitação em marketing com as mãos atadas e louca pra ir estudar em Recife, que já oferecia e tinha o nome sólido o suficiente para eu me arriscar. Não fui, me segurei por aqui e confiei que a cidade iria acompanhar a tendência das principais universidades federais do N/NE (que no último biênio se tratava de criação de subsídios para a oferta de cursos em comunicação e artes). Primeiro ano de Administração/Marketing concluído, abre Design Gráfico na Universidade Potiguar. Fiz a matrícula e fiquei na torcida de fechar a turma pra que fosse possível fazer valer o risco de trancar um curso numa excelente faculdade onde eu tinha tudo (base de pesquisa, estágio, bolsa, tudo!). Deu tudo certo, a minha turma lotou e foram abertas mais outras duas. Formamos três turmas e concluiu-se com apenas duas (normal, muita gente viu que não nasceu pra’quilo). Daí então, o curso de Design já havia sido aberto na UFRN e de repente surgem futuros-designers por toda parte. Tipo… de repente.
Nada do que eu falei acima vai te ajudar profissionalmente, é apenas um relato de que não adianta achar que deve mudar o seu rumo profissional porque a sua cidade não tem (ainda, lembre-se disso!) o curso dos seus (e nossos) sonhos.
Qual a melhor faculdade?
Segundo Guia do Estudante – Profissões de 2011 (é, não encontrei mais atualizado, me julguem), se você está no Rio de Janeiro, você está no lugar certo. A PUC-RJ tem 5 estrelinhas, indica ser uma faculdade de excelência. As Universidades Federais de Goiás, do Paraná e Pelotas(RS); as Estaduais de Minas Gerais, Londrina e Santa Catarina; as demais Universidades/Faculdades Fucapi, Univ. De Salvador, Univ. De Tiradentes, a ESPM, Anhembi Morumbi e o SENAC/SP receberam 4 estrelinhas.
Minha opinião sobre isso
A avaliação se uma universidade presta ou não, não será as estrelinhas quem vão dizer. No máximo te diz se ela vai te fornecer estrutura e uma qualidade de ensino adequada. O que faz uma universidade prestar ou não é a sua dedicação com o que está se propondo a fazer, com quem você se relaciona na academia (contatos) e o que mais você puder aproveitar deles. Não espere que um professor diga o que você tem que ir atrás (se for pública, nem conte com isso), não espere um coordenador te colocar na porta de uma agência e ainda dar um empurrão amigo agência adentro (acontece).
Uma dica legal
Caso você não tenha previsão de quando vai ingressar na academia, uma saída pode ser estudar em casa. Além de ser perfeitamente normal, é muito comum encontrar grandes profissionais autodidatas, então não há do quê se envergonhar por isso, aliás, é uma prova de sua dedicação. Eu, particularmente, sou louca, alucinada e apaixonada por uma pós-graduação da Belas Artes. Moro bem distante, o que me restou além da vontade? A internet. Busquei a matriz curricular do curso e desde então venho pesquisando bastante sobre os assuntos que lá são abordados. Não vou nem comentar sobre, é óbvio que não aproveito nem 1% do que o curso na real me proporcionaria, mas eu estou agregando conhecimento. Ou não? Foi a alternativa viável que encontrei, e achei boa o suficiente pra compartilhar com vocês. A menos que vocês tenham a maldade no coração assim como eu, já fizeram isso pra tentar adivinhar o que o professor ia falar na aula seguinte, no ensino médio. =X
Espero ter contribuído de alguma forma, pessoal. Até a próxima!
FONTES