Os ebook’s vieram pra ficar?

16 de setembro de 2011 Design Editorial, Livros 11 comentários

Pode ser Kindle, iPad, Xoom, Samsung Tab ou outro, não interessa o tablet, os ebook’s estão junto com eles. E, se o sucesso dos tablets é alto, por enquanto, no Brasil, não se pode dizer o mesmo dos ebook’s, pois o brasileiro não foi criado com o hábito da leitura. Pode ser que essa realidade esteja mudando e que nossos filhos já estejam desenvolvendo o interesse pela apreciação dos livros. Mas, então, e os ebook’s? Vieram pra ficar ou não?

Sim, vieram pra ficar e com força. Quer uma prova? Veja o sucesso da Amanda Hocking’s. Pra quem não conhece, ela vendeu 1 MILHÃO de ebook’s a 99 centavos de dólar cada. Casos como esse mostram uma nova realidade vindo por aí, o crescimento massivo de autores independentes e que vendem livros a menos de 5 dólares. Desses autores, a grande maioria não dará certo e acabará morrendo ali dentro do próprio mundo dos ebook’s. A vantagem dos livros digitais, antes de mais nada, é o preço, pois não necessita de impressão. Mas, por outro lado, só quem entende a dificuldade de ler um ebook é o dono do tablet. É, praticamente, impossível ler 50 páginas seguidas, pois o excesso de brilho da tela atrapalha bastante (mesmo sendo possível diminuir esse incomodo pelas configurações do aparelho).

As editoras brasileiras ainda devem sofrer muito com esse tipo de publicação, pois seu principal medo é a pirataria. O fato do livro estar à venda na internet e ser um arquivo, facilita o seu compartilhamento, trazendo prejuízo. Em compensação, vemos a falta de interesse de muitas dessas editoras em fazer algo diferente para o leitor, como formatos diferentes, textos diferentes e até ações promocionais diferentes. Na Europa é comum fazer trailer de livro, da mesma forma como ocorre com filmes, abaixo um exemplo:

Falta investimento a nível nacional. Paulo Coelho foi um exemplo de autor que vendeu milhões de livros, tanto impressos quanto digitais, principalmente no exterior. Amanda Hocking’s explorou um mercado extremamente defasado, a literatura infanto-juvenil, pois esse público sempre foi tratado de forma diferente, com títulos bastante infantis como o “cachorrinho falante”, o “monstrinho amigo”. O que muitos editores não enxergaram é o fato de que as crianças de hoje, de 5 anos ou mais, já entram na Internet e buscam informação. A criança não quer mais ser tratada da forma tradicional de anos atrás e sim a criança 2.0, tendo em vista que Hocking’s escreveu de igual pra igual e se diferenciou, virando um fenômeno dos ebook’s.

Mas, o que isso tem haver com design?

Tudo, virá uma grande onda de editoras e, no mínimo, durante os próximos 10 anos, a rota mais fácil e mais barata para elas será terceirizar esse serviço, pois ainda poderá ser um mercado novo aqui no Brasil.

Portanto, programadores, designers multimídia, ilustradores (pincipalmente vetoriais), tem muito trabalho vindo por aí, é a hora de buscar aprender sobre ebook’s e publicações para tablets.

  • COMENTÁRIOS

    • http://www.momentumsaga.com Sybylla

      Também acho que os ebooks vieram para ficar, apesar de no Brasil o mercado para eles ainda ser pequeno. Mas não acredito que isso acabará com o livro de papel. Ao contrário, acho que ambos podem conviver no mercado, pois o papel é ainda um registro seguro. Por mais tecnologia que tenhamos ela ainda tem um ponto fraco: baterias não duram para sempre.

      A Xerox, nos anos 80 previu que o consumo de papel ia cair com o advento do computador e na verdade alguns anos mais tarde, constataram que o consumo de papel triplicou, pois as pessoas não se sentia seguras completamente e temiam perder seus dados.

      Há espaço para ambos, mas acho que o livro físico é uma ideia que não sairá de moda.

      Abraço!

    • Marcelo Cataneo

      Parabéns.
      otemo post,
      Livros no Brasil é muito caro,
      E acredito que os brasileiros não criam o hábito da leitura já na própria escola, na 5° série os professores querem que os alunos leiam Dom Casmurro, Senhora, que não é uma linguagem que vão compreender, é lamentável; hoje me pergunto oque os professores tem na cabeça de fazer crianças de 5° série ler esses livros e querer que eles gostem
      Se eu fosse depender da escola no meu habito de ler eu estaria ferrado, graças a a deus eu conheci Harry Potter ao invez de só conhecer a Capitu, na época foi o que me deu vontade de continuar lendo, porque se depende-se desses clássicos brasileiros na época continuaria na ignorância.

    • http://tutsmais.com.br/blog/ Ofelquis

      Eu to louco pra comprar um e-book pra eu ler enquanto fico no ônibus.

    • Daniel Costa

      Sybylla,
      o livro de papel continuará existindo, assim com o rádio continuou depois da TV, a TV continuou depois da Internet. E por aí vai.
      Minha intenção foi apenas mostrar que é um mercado que vai trazer bons frutos e essa é a hora de aprender.

    • Tadeu

      Para livros, essa é a melhor opção: http://choc.la/9cw

    • http://deliveryhome.eu Sammy

      Parabéns.
      otemo post,
      Livros no Brasil é muito caro,
      E acredito que os brasileiros não criam o hábito da leitura já na própria escola, na 5° série os professores querem que os alunos leiam Dom Casmurro, Senhora, que não é uma linguagem que vão compreender, é lamentável; hoje me pergunto oque os professores tem na cabeça de fazer crianças de 5° série ler esses livros e querer que eles gostem
      Se eu fosse depender da escola no meu habito de ler eu estaria ferrado, graças a a deus eu conheci Harry Potter ao invez de só conhecer a Capitu, na época foi o que me deu vontade de continuar lendo, porque se depende-se desses clássicos brasileiros na época continuaria na ignorância.

      +1

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    • Victor Rosa

      Vieram pra ficar sim. Praticidade está na moda faz tempo e parece que não sai tão cedo. E acho que o mercado impresso tem mais umas duas gerações pra começar a perder força. Digo isso partilhando da realidade de que não existe nada mais agradável do que entrar numa livraria e folear as páginas dos livros, revistas e afins, sentindo aquele cheiro de livro novo (o velho da biblioteca tambem tem seu charme no aroma). Ou achar a edição que faltava na sua coleção de HQ’s, gibis e graphic novels, e ter a arte do seu desenhista preferido em mãos, ou em um poster na parede do quarto. Se deslumbrar com artes de capa em alto e baixo relevo. Enfim… o sensorial ainda é muito valorizado pelos leitores e acredito que seja, até que isso se perca em meio a tecnologia, o que acho difícil.

    • http://heartplush.de.ms Andreia

      Você fala em ‘venda de ebooks’, mas a grande moda (pelo menos pelo que tenho visto) é disponibilização gratuita de ebook na Internet.

      Talvez porque com um simples clique nós obtemos um livro que levamos meses a comprar (ora, nem todos somos ricos! -.-). Acho que o grande sucesso dos ebooks está aí: na sua fácil aquisição.

      Eu comecei a ler ebooks numa altura em que ninguém sabia o que era isso; havia poucas ‘bibliotecas virtuais’ e por tanto era uma sorte encontrar um ebook para download. Mas como tudo na vida, parece que as pessoas ganharam o gosto pelos ebooks e desde então tenho visto um crescimento em massa. :O

      Para mim é mais vantajoso ler um ebook que um livro. Primeiro porque é gratuito, e depois porque está a um clique de distância.

      É claro que gosto de livros, adoro o cheio, o que toque, o folhear que só um livro tem. Mas, falta o mais importante. E nesses momentos é preciso pensar em o que é mais essencial e o que é supérfluo.

    • Arthur

      Quanto a emissão de luz dos tablets atrapalhar a leitura, é isso mesmo. Tablets não foram pensados pra funcionar como leitores de livros digitais, são computadores. Para ler e-books existem os e-readers, que a exemplo do Kindle e do Nook, não emitem luz, usam uma tinta digital [e-ink] e pra se ler, assim como um livro normal, é preciso de luz incidindo no aparelho.

      E quanto ao comentário sobre a bateria não durar pra sempre, computação em nuvem está aí. Acho que vieram pra ficar, e não custa lembrar que em 2010 a Amazon lucrou mais com e-books do que com livros físicos. Ah, e o item mais vendido do site é justamente o kindle. Talvez ocorra com os livros de papel o que ocorreu com o vinil, fiquem apenas para os fetichistas.

    • Eduarda

      Também concordo que os ebooks vieram para ficar mas ainda prefiro os bons e velhos livros de papel de antigamente, e não é só pelo brilho da tela. Na minha opinião ler um livro de papel e um livro num tablet são coisas totalmente diferentes e que não tem explicação. Eu acho muito mais emocionante ler um livro comum do que ler o livro no tablet. Não sei, parece que some a emoção. Mesmo os ebooks sendo práticos não troco um bom e velho livro comum por nada.