Categorias
Design Metodologia de Projetos

Porque o design é não-linear, e ponto!

Porque o design é linear? Porque alguém disse isso uma vez, aí as pessoas acreditaram e foi ficando assim. Brincadeiras à parte, as metodologias de […]


Porque o design é linear?

Porque alguém disse isso uma vez, aí as pessoas acreditaram e foi ficando assim. Brincadeiras à parte, as metodologias de design sempre foram vistas de maneira linear e sequencial devido a sua origem na produção industrial. Assim, necessitava-se de fórmulas para se desenvolver os produtos de maneira serializada. Mas a coisa pode ser mais interessante!

Poltrona Mesa Trama - Bruno De Avila - Brav Design
Poltrona Mesa Trama – Bruno De Avila – Brav Design (2009)

As metodologias tradicionais

Vários autores desenvolveram metodologias de maneira a abranger todas as etapas que envolvem o desenvolvimento de um produto de design (seja gráfico, moda, internet, cada qual com suas particularidades). Mas sempre tendo o mesmo princípio, parte-se de um problema para gerar soluções inovadoras. A criatividade e as buscas por alternativas estão inseridas neste contexto e uma etapa deriva de outra para ser realizada.

problema-solução

As etapas tradicionais constantes em uma metodologia cobrem todo o panorama de mercado, para que se possa compreender e avaliar as variações que podem ocorrer no processo de design. Passa-se por um período de geração de ideias e protótipos e, caso não se atenda às necessidades do projeto, iniciam-se novas alternativas.

Metodologia não-linear

Isso funciona, e bem! Mas nossa forma de pensar não é linear, portanto, uma forma de projetar não-linear é uma proposta de atender a diversas frentes de forma concomitante. O Prof. Dr. Luiz Salomão Ribas Gomez (2003) já compartilha deste pensamento em sua tese:

Não se concebe mais a idéia de linearidade do pensamento, como tem sido usado há muito tempo. O profissional da contemporaneidade não pode mais seguir rumos lineares, precisa incorporar distintas áreas do conhecimento para contextualizar a sua atuação, tornando-a mais abrangente (GOMEZ, 2003, p. 34)

A vantagem deste método “aberto”, como chama Santos (2005), é que nos modelos tradicionais, fechados, não há espaço definido para adaptações. No entanto, em uma estrutura não-linear, estas adequações podem ocorrer a qualquer momento, considerando caminhos prévios para que se possa chegar a algum lugar.

Representação gráfica do método aberto MD3E

Representação gráfica do método aberto MD3E. Fonte: Santos (2005)

Assim, quando pensamos o projeto, não pensamos cada etapa de maneira individual, mas de maneira intuitiva. Já pensa o desenho e qual material melhor se adapta ao seu desenvolvimento, que já remete aos possíveis fornecedores. Formatos diferentes pedem acabamentos diferenciados, e já visualizamos suas possibilidade e os potenciais problemas destas escolhas.

Assim, fica reduzido o tempo de incubação de um projeto, visto que podem ser definidas varias opções que caminharão juntas, até a necessidade de construção de protótipos, onde apenas o que for viável será finalizado, mas já possuindo outras alternativas.

Claro que aqui é um espaço para breve reflexão. Mas para saber mais sobre o tema, as referências estão aí em baixo. Vale ler e se aprofundar, principalmente em um mercado mutante como o do design.

A algum tempo fiz um comparativo entre várias metodologias “tradicionais” e a metodologia não-linear para uma aula, se alguém tiver interesse está aqui.

Referências bibliográficas

GOMEZ, Luiz Salomão Ribas. Os 4P’s do Design: uma proposta metodológica não-linear de projeto. Tese de doutorado ao PPGEP/UFSC, 2003.

MUNARI, Bruno. Das coisas nascem coisas. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

SANTOS, Flávio Anthero Nunes Vianna dos. MD3E (Método de Desdobramento em 3 Etapas): Uma Proposta de Método Aberto de Projeto para Uso no Ensino de Design Industrial. Tese de Doutorado – PPGEP-UFSC. Florianópolis, 2005.


    • http://www.facebook.com/igor.pimentel.509 Igor Pimentel

      Muito interessante levantar esse tema aqui, Marcio. Design thinking é uma área bem importante e aberta a diversas carreiras apesar de muitos não curtirem. Recomendo o livro “Design Thinking. Uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias” do autor Tim Brown.

      Abraços!

    • http://twitter.com/gabitacchi Gabriela Malentacchi

      Olá, realmente é uma maneira bem mais prática para uma metodologia de
      projeto, achei bem interessante, vi a apresentação e queria saber se
      você poderia me mandar a imagem do último slide, por favor (pelo slide
      não dá para ter muita definição e confesso que fiquei bem interessada e
      curiosa)
      Como citado ela me parece bem intuitiva ao processo. Não
      sei quanto aos outros designers, mas prefiro em um projeto não me
      limitar às etapas, mesmo que tenham alguns “passos” a serem seguidos,
      deixo ele fluir e chegar a uma solução, ao que parece tem dado certo!

    • Marcos Faunner

      Post bem interessante, Marcio. Acredito que nunca
      seja demais falar de metodologia em design, contudo, percebo duas maneiras de
      serem abordadas tais metodologias: A chata e a interessante rsrss… A chata seria essa
      forma linear e insuficiente nos dias de hoje. Creio que seja útil em alguns
      momentos, para alguns projetos, mas longe de ser um cânone como é ensinado em
      muitas universidades até hoje (infelizmente). A interessante seria justamente
      pensar o design como um catalizador de várias áreas do conhecimento onde todas
      se juntam para articular sentidos e propor novas ideias. Isso daria ao
      design uma propriedade metamórfica, como você bem disse.

      Abs.