Seja Freela #24: Concorrência Desleal

20 de julho de 2011 Seja freela 20 comentários

Como ganhar espaço no Mercado?

A parte mais difícil ao começar carreira solo é ganhar seu espaço no mercado. Como podemos nos diferenciar dos concorrentes? E como podemos ser mais competitivos? Hoje, gostaria de propor uma estratégia diferente.

Já discutimos bastante sobre como melhorar seu trabalho, o ponto agora é descobrir como ganhar espaço no mercado. Além de ser realmente bom no que faz e ter uma boa rede de contatos, você precisa ser competitivo.

Um bom começo é fazer freelas para conhecidos, amigos, parentes… um convite de casamento, cardápio de boteco, folder de imobiliária… coisas pequenas que são rápidas de resolver,  portanto, de rápido retorno financeiro. O único problema de pegar freelas assim, é que este é um mercado saturado por micreiros, ora bolas, um designer formado se recusaria a competir num mercado destes, não é verdade? Já acompanhei estas discussões em vários blogs, onde designers reclamam de micreiros, mas também não estão dispostos a fazer um panfletinho para dona maria da esquina. O que é uma grande bobagem no meu ponto de vista.

A estratégia que quero propor hoje é bastante agressiva, provavelmente muitos não vão concordar, mas para ganhar espaço no mercado você precisa ter preço. Até você não conseguir fazer seu nome, e deixar bem claro para o mercado que você é competente e que seu trabalho vale o que você quer cobrar, só conseguirá competir por preço. Não estou pedindo para vocês desvalorizarem seu trabalho, mas que tal abaixar a margem de lucro?

Falando como empresário, entre dois profissionais de pouca experiência, e dos quais eu não conheço e nem tenho referências, vou optar por contratar o que apresentar a proposta mais barata.

Mas, para ter sucesso nesta estratégia de brigar por preço, vocês precisam entender bem, como fazer o seu cálculo de custo, e tentar enxugar o máximo possível da sua produção, seja o mais eficiente possível e ganhe tempo. Você não deve pagar para trabalhar, nunca venda seu projeto abaixo do preço de custo, mas você pode optar por diminuir sua margem de lucro, trocar sua rentabilidade por uma boa indicação, é um esforço de marketing necessário.

Doa a quem doer, há quem discorde desta prática, por dizer que pode “prostituir” a profissão, afinal de contas, filhinho de papai que pagou caro na faculdade particular, quer retorno imediato do seu investimento, e não quer ser comparado à micreiro, mas eu digo uma coisa, você só será visto como profissional de terceira categoria se você se portar como tal. Afinal de contas, que tipo de cliente não fica satisfeito em pagar relativamente barato por um bom trabalho?

Isso não quer dizer que devam vender identidades visuais a R$70,00… mas quero que pensem, quantas horas será que são necessárias para isso? E por que não cobrar somente pelas horas que você vai usar para trabalhar neste projeto? O cliente não precisa pagar pelo seu cafezinho e sua ineficiência.

Sim, é uma prática de concorrência desleal com seus colegas, mas é uma maneira de ganhar  market share. Para quem estuda/estudou marketing, entende que no mercado você pode ser competitivo por diferenciação e/ou por preço. Quando você não tem qualidade suficiente, é obrigado a competir o espaço de mercado por preço.

Na medida em que forem ficando mais conhecidos, e ganhando seu espaço no mercado, já temos um post referente a como aumentar o seu preço de maneira saudável :)

É importante nunca esquecer de que, ao optar pela carreira de freelancer, você antes de ser designer, publicitário, ilustrador, seja o que for… sempre será um vendedor. Você precisa aprender a se promover no mercado, apesar de muitos não concordarem com esta prática de queima de preço. Alguns podem até considerar sujeira com os colegas, uma prática que a regulamentação de classe e associações mais repudiam, por dizer anti-ético. Mas eu não vejo nada de errado em ganhar espaço no mercado.

Para finalizar, este tipo de prática só funciona se você conseguir ser altamente eficiente. Para conseguir reduzir custos, você precisará fazer mais com menos recursos, e em muito menos tempo. Para que seu novo empreendimento seja sustentável, com baixa rentabilidade, você precisará ter quantidade. Isto quer dizer que será preferível fazer vários projetos pequenos e simples à projetos grandes e complexos, mesmo que estes sejam menos gratificantes.

  • Abel Chang

    Formado em desenho industrial pela PUCPR e gestão de negócios pelo IBMEC/EBS Curitiba, sou poliglota (mandarim, cantones, portugues, ingles, espanhol e japones), fui professor de projeto de produto na Universidad Nacional de Asuncion. Aqui no chocoladesign vou falar de temas relacionados a empreendedorismo, gestão de negócios e gestão financeira para profissionais autonomos. Duvidas? Me procura no Twitter ou no Facebook.

    Veja todos os 14 posts publicados por Abel »

    COMENTÁRIOS

    • Calebe borges

      Muito boas as dicas!
      Parabéns e muito obrigado!

    • http://alexandresg.wordpress.com Alexandre Severo Gomes

      A excelência do trabalho deve se manter e conforme vai crescendo seus preços vão junto.

      Ninguém começa no emprego como chefe, claro que este tipo de atividade é inadequada, mas todos devemos começar de algum lugar.

      Excelentes dicas :)

    • Abel Chang

      alexandre, tem um outro post anterior… explicando qual a melhor maneira para aumentar seus preços e qual o melhor momento.

    • http://designices.com Rogerio Fratin

      Olá, Abel.

      Concordo com boa parte do que escreveu, te parabenizo pelo espaço aqui no blog, mas algumas coisas eu não vejo acontecer. Eu acho que a melhor maneira de ser freela é caindo no mercado, pegando contatos [e experiência] nas empresas que passar e, com mais experiência e nomes na agenda partir “pras cabeças”. Abaixar “a margem de lucro” não é o mesmo do que “cobrar menos”? E depois, como vai ser colocar o preço “sem a redução” pra esses mesmos clientes? Acho que não verão bem um aumento de 20%, 30% ou 40%.

      Uma discussão que sempre rola é com os micreiros. Sinceramente eu acho que eles não atrapalham nada [nada mesmo] a nossa profissão. A Almap não contrata micreiros, nem a Agência Click, nem a Globo.com, nem o UOL, nem o Google, nem o Terra. Quem quer algo de qualidade não chama micreiro. Não quero que pareça uma agressão, mas acho que se preocupar com micreiro é, de certa forma, se achar um. Faço uma comparação simples pra explicar meu ponto de vista: Tem gente que tem um carro popular e o leva em qualquer mecânico que tiver no caminho, mesmo que seja um buraco porco e desorganizado onde ele atende. Tem gente com o mesmo carro popular que leva na concessionária ou em lugares com maior idoneidade, estrutura, dispostos a gastar mais pelo serviço. Tem gente que fica feliz com um “iPod” chinês que, com muita sorte, dura mais de 6 meses. São propostas diferentes, experiências diferentes. Depende da intenção de cada um. Será que é válido pra um dono de padaria contratar um jornalista para escrever o recado de “servimos bem para servir sempre” no verso do pacote do pão?

      Da mesma maneira os micreiros atendem esse mercado. Não é questão de um designer não querer fazer esse tipo de serviço, eu acho. É não fazer parte da nossa alçada ou subutilizar uma função. Pelo menos não são da nossa alçada enquanto não houver uma cultura gráfica mais evoluída, enquanto as aulas de educação artística nas escolas forem sinônimos de aulas vagas e empresas como Guaraná Dolly acharem que pra falar com as classes C e D precisa fazer coisas de um mau gosto sem tamanho.

      Acho que escrevi demais, não? Mals aí… :)
      Um abraço!
      Fratin

    • Abel Chang

      Rogerio, concordo contigo… mas enfim, vou repetir, em um post anterior eu explico como fazer esse aumento de preço.

      eu mesmo trabalho somente com segmento “pobrier”…sao propostas e experiencias diferentes, mas de alta rentabilidade.

    • http://www.magelstudio.com.br Marco Moreira

      Quando vc fala em “concorrência desleal” eu já não gosto. Ética é preciso, mas preço não se discute.

      Cada um tem seu preço, sua linguagem e seu nível de qualidade no atendimento e no trabalho. Acho que quem tem tudo isso muito bom não tem como jogar o preço lá embaixo, é natural. Você investe em impressos, auto promoção, em tempo blogando, em cartões de visita, seguro da câmera, luz, telefone, computador, conhecimento, gasta em estacionamento e gasolina qdo vai aos clientes, e uma porção de outros gastos.

      Quem é BOM não cobra barato. Desculpe, eu defendo isso.
      Agora quem quer se vender a preço de banana pode até conquistar o cliente pelo preço, mas com uns 10 clientes conquistados pelo preço o cara já vai começar a se atrapalhar na organização e a qualidade vai cair. Fato.
      Eu sou freela, atendo a poucos clientes, cobro bem, atendo muito bem e os clientes estão feliz da vida.

      O que é “barato” pra você? O que é “barato” para o cliente?
      Como vc deve ter aprendido em suas aulas de marketing, o “valor” é relativo. Eu não exploro meus clientes, mas cobro um preço legal, fico feliz. E pela qualidade que ofereço, consigo colocar um “valor” maior que o cliente espera, dando retorno para ele e fazendo com que ele ache até “barato” pelo atendimento que recebeu, entende?

      Sinceramente eu não tenho o menor problema se o meu visinho cobrar metade do valor que eu cobrei por um logo e ele ganhar o cliente. Tudo bem, ele é filhinho de papai (como disse) e não tem despesa nenhuma, papai paga tudo. Jogar o preço lá embaixo pra alguns é fácil. Difícil é manter um nível de qualidade legal e fazer o cliente pagar o quento o seu trabalho vale. Difícil é conquistar um novo cliente cobrando bem sem que ele tenha feito algum trabalho contigo. Aí sim eu tiro o chapéu. E isso eu chamo de confiança, de experiência.

      Evidente que não faz sentido alguém que tem 1 ano de portfólio cobrar o mesmo de uma pessoa que tem 10 e é phoda no que faz, mas vc me dizer que a gente precisa ganhar mercado usando o preço como referência, tá errado. Existem muitos e muitos outros fatores que fazem vc conquistar o cliente.

      Acho que tb escrevi demais né..rs, mas acho legal abrir esse tipo de discussão e estar aberto a críticas.

      Um abraço!
      Marco Moreira

    • http://www.twitter.com/changzer abel chang

      Marco, pra quem está começando, é uma das poucas opções…
      não vou discordar de voce… mas o lance não é simplesmente “cobrar mais barato”, é abaixar a sua margem de lucro… como eu disse, nunca se deve pagar para trabalhar. em outros posts, eu já expliquei como calcular o custo de operação e formação de preço.

      e como eu já disse, e vou voltar a repetir, tem estrategia para subir o preço, depois que voce já tenha conquistado a confiança de um tanto de clientes… depois que voce já tenha se estabelecido no mercado.

      estou certo de q quando vc começou, vc nao conseguia cobrar da mesma maneira q cobra hoje :)

    • http://www.twitter.com/changzer abel chang

      hmm… talvez nao tenha ficado claro, mas este post é pra quem está começando… pra quem acabou de sair da faculdade, ou está por sair da faculdade.

      este texto não faz sentido algum pra quem já está atuando no mercado a um bom tempo… veteranos, ignorem :)

    • http://designices.com Rogerio Fratin

      Ah! Agora sim!
      Desculpe, Abel, acho que “atravessei” a ideia do post, caí por acaso.
      De qualquer modo ficam registradas as opiniões dos mais “véios”, um dia fará sentido [pra concordar ou negar, tanto faz].
      Abração!
      Fratin

    • http://www.magelstudio.com.br Marco Moreira

      Blog é pra isso, senão tb não faria sentido criar um “post polêmico” rs
      Acho que a discussão gera aprendizado, tanto para quem escreve quanto para quem lê. Acho que os comentários são anexos do post em questão.

      No Blog Designices (desse fulano aí de cima), já cheguei a escrever comentários maiores que o próprio post. Isso é reflexão em cima de um assunto. E se vc consegue ganhar comentários contra e a favor é um bom sinal. Continue colocando o seu ponto de vista, mas claro, pensando no que escreve, pq a polêmica é legal, mas pode gerar discussões fervorozas demais dependendo do que escreve hehe!

      As vezes eu tenho bode de comentários de blogs que só recebem “parabéns”, “legal”, “nossa vc é o máximo”. Na verdade as pessoas estão ficando com preguiça de pensar no assunto (ou com vergonha/medo de colocarem o seu ponto de vista).

      Sucesso pro Chocolá!

    • http://www.twitter.com/changzer abel chang

      Rogerio, desculpas por que? hehe.. o Marco tem razão… eu só não queria causar uma má impressão.
      pq realmente, não faz sentido um veterano usar desta pratica…

      este post, eu escrevi por experiencia propria… a 6 anos, quando comecei a freelar foi assim… hj, eu cobro o quanto dá na telha, e se fechar beleza… se não fechar, não to nem aí :P

    • http://www.bit.ly/hskimura Heitor Kimura

      Eu concordo com o fato de que, você não pode querer entrar no mercado cobrando o que cobra um veterano, não importando seus diferenciais e habilidades.

      É normal cobrar mais conforme passa o tempo, em todos os mercados, mas isso não se deve só à qualidade do trabalho oferecido, mas também pela credibilidade, posicionamento, etc.

      Eu também concordo quando o Rogério fala da qualidade do trabalho dos micreiros. O cliente simplesmente vai receber um trabalho de acordo com o que pagou. Quer pagar 100 reais numa marca? …vai ter uma marca de 100 reais. Mas como o próprio Abel ressalta: muitos designers se recusam a pegar job de tia, folheto do padeiro, etc.

      Mas isso quem é prejudicado são eles mesmos, e é incrível como existem profissionais da arte/publicidade/design que se acham os SENIORS.

      E esse é outro problema, pra ter sucesso eu ainda quero acreditar que precisa de caráter e respeito. Em geral, com os clientes, com os colegas e principalmente com você mesmo.

      Essa é minha opinião, não posso nem dizer que estou entrando no mercado hahah. Mas eu gosto muito de posts como esse, é difícil achar pessoas para discutir esse tipo de coisa, fora de um blog, como esse.

    • http://www.lisdesigner.com Lis

      Olha, este texto é muito bom hein colega! Nós, designers recém formados custamos muito para conseguir nosso espaço, e ainda mais com todos estes micreiros invadindo nosso espaço. Outra coisa que eu sinto que atrapalha: estes web sites que já vem prontos em 3 passos; já tentaram fazer um destes? Não tem nada a ver, não tem identidade. Tem que ter briefing, o cliente tem que entender de uma vez por todas a sua importância, e nós que estamos começando, pegando clientes pequenos que muitas vezes nem sabem o que é um briefing, ou mesmo quando o termo é devidamente explicado, se recusam a fornecer, achando que você tem mais é que advinhar suas necessidades, seu público-alvo etc. Dificil é a jornada de um freela, ainda mais o recém-formado e sem muito dinheiro para investir em divulgação.

    • Bruno Leal

      galera, só não generaliza que quem cobra barato é filhinho de papai.
      Eu sou formado em comunicação visual pela ETEC (curso tecnico estadual de SP) o curso é o melhor tecnico de SP mas não é uma faculdade, e eu to começando. (anos q vem entro, td depende do ENEM haha)
      Enfim, não posso cobrar caro.
      Antes de orçar eu vejo quanto custa o meu tempo, esforço ( o que é bem relativo) e depois vo atrás de outros designers pra fazer uma pesquisa de preço….Se um trabalho custa em média R$ 300,00, desculpe, se valer a pena eu cobro R$ 200,00…

      Se ponham no meu lugar… um cara fudido com um portifólio ferrado cobra R$ 300 pelo serviço.
      Como que eu vou concorrer !? na lábia !?
      ;D

      vlw ae Abel, abração!

    • http://barbara-liana.deviantart.com Bárbara de Carvalho Monteiro

      Gosto de fazer projetos que sejam pequenos, para terminar mais rápido. Acho que não fica tão cansativo quanto os grandes projetos. Ainda mais quando se esta começando.

      Tenho muitas dúvidas em como me colocar no mercado como ilustradora e quanto preço cobrar. Acho mais freela pra fazer panfletos pra Dona Iaia do quê freelas pra ilustração, sendo que o fato de saber ilustrar me ajuda bastante e me dá um plus.

      Gosto de como escreve, é bem centrado e racional.

    • http://www.twitter.com/changzer abel chang

      Barbara, quando nao souber como cobrar… sugiro q siga as dicas do meu post anterior, http://chocoladesign.com/seja-freela-11-gestao-financeira-para-designers-parte-1

    • Rúbia Martins

      Oi Abel!

      Suas postagens me ajudam de mais! É uma quase consultoria gratuita…
      Tomo a liberdade de sugerir um assunto: Quando se tornar um Freelancer?
      Pergunto isso por que estudamos, investimos na carreira e como consequência acabamos sendo absorvidos pelo mercado. Mas quando é a hora de conquistar nossa própria marca e caminharmos com nossas próprias pernas?

      Que tal uma postagem sobre isso? ^^

      Saudações!

    • http://www.twitter.com/changzer abel chang

      Rubia, vou pensar sobre isso… mas não sei por onde começar… hehe, nunca parei para pensar quando foi o momento em que virei “freelancer”. as coisas aconteceram de repente.

    • Veronica

      muito bom o post, com dicas e verdades eficientes!

    • Joao

      Boas,

      na minha humilde opinão de estudante de segundo ano de design acho que alguns pontos neste post não fazem muito sentido.

      “Afinal de contas, que tipo de cliente não fica satisfeito em pagar relativamente barato por um bom trabalho?”

      É suposto fazermos com que o cliente fique feliz por pagar menos do que o que devia ou fazer com que pague o preço justo pelo nosso trabalho? O cliente não tem que ficar feliz por pagar pouco por um bom trabalho. Deve é ficar feliz por ter um bom trabalho e como tal, pagar o que esse trabalho merece.

      “Quando você não tem qualidade suficiente, é obrigado a competir o espaço de mercado por preço.”

      Não seria melhor incentivar a aprender mais e a tornar-se melhor no seu trabalho do que incentivar a permanecer mau (ou nao tão bom como os outros) e por isso cobrar muito baixo, tirando assim emprego a quem de facto é bom?

      De resto… concordo bastante com incentivo a fazer trabalhos para conhecidos, familiares.

      Melhores cumprimentos