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    Simplicidade cognitiva – Desenvolvendo para mobile

    Esse papo de simplicidade cognitiva veio David Lieb, CEO do Bump – um app mobile de compartilhamento de dados (infos, fotos,vídeos, etc.) de um […]


    Esse papo de simplicidade cognitiva veio David Lieb, CEO do Bump – um app mobile de compartilhamento de dados (infos, fotos,vídeos, etc.) de um jeito super bacana: esbarrando os celulares.

    Presta atenção que o papo é bom:

    Menos é mais.

    Se for falar de arte, o século XX revirou toda a história e simplificou a busca pelo belo, utilizando formas geométricas e cores chapadas. Se você viu o quadro de Barnet Newman sendo vendido a U$43,84 milhões, você compreende o nível de simplicidade estética que chegamos. E como a arte é reflexo da vida, ela só relata a insistência do ser humano na busca por formas mais simples de representar, interagir, expressar.

    quadro de Barnet Newman

    Falando em produtos eletrônicos, a Apple passou boa parte das últimas décadas ditando um ideal de beleza em produtos eletrônicos comumente associados a simplicidade de suas linhas, a descomplexidade dos botões.

    ipods

    Falando em produtos digitais, a intenção é a mesma: simplificar a experiência do usuário. O desenvolvimento de um software, app ou website deve se preocupar com a usabilidade, numa linguagem clara e responsiva, fazendo o usuário saber o que está acontecendo. Talvez essa vontade de deixar tudo simples é o grande motivador de um visual igualmente simples.

    Simplicidade pode vir em diversos sabores:

    – minimizar o número do passos no fluxo;
    – minimizar o tempo requerido;
    – minimizar os elementos em cada página;
    – minimizar isso, minimizar aquilo.

    Mas o mais importante, e normalmente cai em descaso, é a simplicidade cognitiva. (…) Acreditamos que os desenvolvedores de produtos deveriam primeira e principalmente minimizar a sobrecarga cognitiva de seus produtos, mesmo que muitas vezes isto custe a simplicidade de outros processos.”, diz Lieb. E o ponto dele é exatamente o que você entendeu: complicar para simplificar.

    Sobrecarga cognitiva

    Usando os termos do designer David Demaree, sobrecarga cognitiva é “quantas conexões lógicas seu cérebro deve fazer para conseguir contextualizar e interpretar o que você está observando”.

    Para desenhar produtos para o mercado de massa, é obrigatório considerar a minimização da sobrecarga cognitiva, antes de minimizar o resto. Isto porque a maioria das pessoas ainda não associa o padrão de utilização de um dispositivo ao seu significado, simplesmente por não ter vivenciado aquilo – especialmente quando estamos falando de um mercado crescente, onde cada vez mais pessoas tem acesso a tecnologias antes muito distantes ($$).

    E isso faz ainda mais diferença no mercado mobile. Porque pensa comigo: consumir conteúdo mobile é bem diferente do que no seu computador. O usuário de mobile quer fazer tudo ao mesmo tempo: conversar com um colega na rua, mandar mensagem pra outro e ainda tentar aprender a usar o recém baixado aplicativo. E se esse aplicativo não tiver essa simplicidade cognitiva, ele dançou. Ninguém tem saco de decifrar como um programa funciona – estamos em outros tempos. Supere.

    Exemplos de sobrecarga cognitiva

    Chega de Blablabla e vamos falar de fatos para ilustrar melhor essa história. David Lieb mostra alguns produtos que são “simples” mas que podem ter sérios problemas de simplicidade cognitiva:

    qr-codes

    QR Code readers – Ele é desenhado para ler quadrados dentro de quadrados em poucos passos, mas rola uma trava conceitual na hora de defini-lo: “Então é um código de barra? Não!? É um website? Mas eu abro websites com meu browser, não com a câmera… Então eu tipo tiro uma foto dele? Não, eu tiro uma foto com um app específico? Qual app?” – essa é a sua mãe te questionando.

    i-cloud

    iCloud – Parece uma utopia ter todos os seus dados e fotos sincronizados em todos os seus gadgets ao mesmo tempo. Mas na prática essa ideia tem alguns problemas de sobrecarga cognitiva: ele só faz o backup de suas fotos mais recentes, só funciona em certos aplicativos, deve criar uma conta icloud.com para sincronizar e-mail e notas, e ainda só funciona no novo iPhone, iPads e Lion OSX v. 10.7.4 ou posterior. … heim?!

    Estrelinhas para simplicidade cognitiva

    Alguns exemplos de produtos que possuem simplicidade cognitiva:

    shazam

    Shazam: Um app que escuta a música que está tocando e magicamente informa qual música é essa. Parece complexo, e o que rola por trás da tela é complexo sim – e apesar disso, Shazam consegue simplificar a carga cognitiva. Ele te força a apartar o botão “start listening” e mostra feedback em tempo real de que está escutando alguma coisa, e ainda faz um sinal quando acha que coisa é esta. O app poderia ter feito isso em menos recursos (“mais simplificado”), mas viria a custo da simplicidade cognitiva.

    controle-wii

    Nintendo Wii: O Wii começa meio complicado – e bem diferente dos seus consoles concorrentes da época -, ao ter que calibrar os acelerômetros e detectores de movimento. Mas uma vez que isso é configurado, é só alegria: você move o controle na mão esquerda, e o seu avatar move a raquete correspondente. Yay!

    Sobrecarga e simplicidade ao mesmo tempo

    Só pra complicar, é possível que o produto consiga ir para os dois caminhos ao mesmo tempo. Observe:

    dropbox

    Dropbox: O dropbox é uma solução DUCA. É ter tudo em todos os lugares ao mesmo tempo. Mas pra chegar nesse nível cognitivo simplificado, o usuário passa por momentos de grande esforço cognitivo: “O dropbox é uma pasta no seu computador ou um website pra armazenamento na nuvem? Ah, e é um programa pra instalar também? Quando que as coisas já sofreram backup?” pergunta o seu avô.

    A pergunta certa é: como desenvolver produtos cognitivamente simples?

    Não faça as pessoas fazerem menos
    Faça as pessoas fazerem mais. O suficiente para fazer parte do fluxo do processo, ao invés de ficar por fora dele. Quando isso acontece, o usuário tem um ponto de vista apurado do que está acontecendo. Deixar tudo automatizado é legal, mas é um obstáculo para a compreensão cognitiva do que está acontecendo.

    Dê feedback em tempo real
    Se o usuário pensou “hm… será que funcionou?” você falhou. É através do feedback do sistema que o usuário consegue perceber se ele está dentro do processo ou as coisas estão acontecendo independente dele.

    Deixe seu produto mais devagar
    As vezes, diminuir o tempo de resposta não é a melhor opção – por exemplo, numa busca: deixar esse tempo com décimos de segundo, um tempo muito inferior ao tempo compreensível pelo ser humano, pode até soar meio… falso. Por mais que a máquina esteja dando o seu melhor. Se o sistema puder mostrar que trabalhou alguns instantes naquilo – um mini-loading que seja – já faz o usuário ficar mais de boa.

    Como saber se o negócio está cognitivamente simplificado?
    Teste com senhores e senhoras e teste com crianças – por eles não estarem acostumados com a lógica comum dos produtos tecnológicos. Eles são ótimos detectores de sobrecargas cognitivas. Se não tem nenhum ancião ou criança pelas redondezas, procure um bêbado (?!). Bêbados tem uma lógica diferenciada dos sóbrios.

    img

    Peça pro usuário explicar do que se trata o produto:
    Outra forma de ver como o pessoal está percebendo o seu produto é…. perguntando! Uma explicação do usuário sobre o produto pode fazer você perceber como ele vê aquilo. Se você está montando um programa para armazenar receitas de bolo e o usuário acha que aquilo é uma rede social de fotos – há algo muito errado por aí.

    Para David (ui, fiquei íntima já), esse é o momento em que simplicidade cognitiva está bombando – e vai continuar por pelo menos cinco anos. Para um produto cair no gosto do mercado de massa, ele tem que ser adotado tanto por um cara cool do Sillicon Valley quanto por uma criancinha brincando de adoleta na Thailândia.

    Com isso tudo, se conclui que:

    As pessoas não querem coisas mais simples. Elas só não querem se esforçar para entender o que está ocorrendo. Se o seu sistema, app para mobile, página, jogo ou torradeira estiver mostrando o fluxo entre ação e feedback, envolvendo o usuário nesse processo, o resultado pode ser muito mais interessante do que esconder todo o joguinho.

    Nem sempre o simples é mais.

    Escrito por:

    Lola de Assunção – Catarina de nascença, designer por formação e encantada por branding e cultura japonesa. Atua como brand connector do Cafundó Estúdio Criativo enquanto não está imaginando se marca fosse gente.

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    • Bruno Araujo

      Great post! 🙂

    • Jhonatan Hoffmann de Melo

      Uau, legal!

    • Thiago de oliveira

      Reformulando esse trecho para a minha visão crítica – “quadro de Barnet Newman sendo vendido a U$43,84 milhões, você compreende o nível que a estupidez humana pode alcançar”

    • Júnior Simas

      Parabéns! Ótimo texto!

    • Julio Dantas

      Esse artigo falou muito bem o que os usuários querem.