Antes de começar esse post, gostaria de deixar bem claro que sou totalmente contra o Nazismo e que quero falar somente sobre como a comunicação visual ajudou Hitler a conquistar aquela legião de seguidores.
Na faculdade, nas aulas de uma determinada matéria, uma professora frisava que, para se conseguir bons resultados com qualquer tipo de venda de produto ou serviço prestado, deveríamos atingir diretamente o emocional de cada público. Isso a gente sabe de cor, mas é complexo. Nesse ano, fiz um curso na ESPM em que esse era o tema principal: trabalhar com arquétipos (conteúdo psíquico do inconsciente coletivo, forma de pensamento universal com carga afetiva, essa que é herdada) e muita semiótica para conseguir chegar no ponto certo, fazendo com que a pessoa se identifique com o que está sendo mostrado. Pra mim, essa é a essência do design gráfico, e o que eu acho de mais bonito, fazer com que todo esse estudo faça a pessoa se identificar e saber que faz parte de um determinado grupo/tribo.
Já venho pensando e sei muito bem que a Publicidade Política Nazista é a essência do que eu acabei de citar:
“A propaganda nazista buscava atingir o emocional das grandes massas, gerar uma concepção apaixonada sobre a mensagem emitida.”
Na época, o que mais obteve força na publicidade nazista foi o cinema, por ser o meio mais moderno de influenciar o povo.
“Foram produzidos cerca de 1.350 longas-metragens nos doze anos de nazismo. A produção abrangia comédias, musicais, operetas, filmes de guerra e documentários que exaltavam o racismo e a xenofobia. Os primeiros filmes foram de temas ideológicos, com o objetivo de exaltar a militância partidária. Nos temas de guerra, o cinema nazista exaltava o heroísmo do regime e a brutalidade do inimigo. Nos filmes nazistas, os ingleses e os russos eram os principais inimigos dos alemães. Os ingleses eram apresentados como fracos e ridículos, imperialistas e opressores. Os russos nestes filmes eram brutos e alcoólicos.”
No design gráfico, trabalhavam muito com a semiótica, com os signos (“Um signo, ou representamen, é aquilo que, sob certo aspecto ou modo, representa algo para alguém. Collected Papers, 5.228″). Numa visão geral, os cartazes que eram produzidos exclusivamente para a massa, passava a mensagem de que, se o partido nazista fosse eleito, acabariam os problemas de humilhação e miséria, depois da Primeira Grande Guerra.
Eles sabiam muito bem que a mensagem que queriam passar ao povo, que era a maioria, deveria ser adequada as pessoas menos favorecidas, explorando o sentimento e trabalhando psicologicamente para que houvesse essa identificação obcecada pelo “Führer”.
Não vou entrar em detalhes sobre os discursos que eram verdadeiros shows que Hitler fazia com a ajuda de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda Nazista, pois foge do foco do post, além de ser um assunto extremamente complexo que merece um estudo aprofundado em vários posts. E, quem sabe, se vocês gostarem do assunto, não fazemos uma série de outros posts sobre a publicidade nazista? Eu gosto de trocar informações, então, se alguém quiser colaborar com materiais além do que foi dito aqui, para que a gente possa aprofundar nosso conhecimento, será muito bem vindo! É só mandar um email para: manubenvenutti[at]chocoladesign.com.
Vou mostrar alguns dos cartazes fotografados no Arquivo Federal Alemão em Koblenz:
Nesse link temos imagens do manual de identidade visual, que era explica como aplicar a suástica, a tipografia, como deveriam ser feitas as fotos, a escala de cores utilizada e como fabricar os impecáveis uniformes.








