Status da regulamentação da profissão de Designer

2 de junho de 2011 Artigos 17 comentários

Gente, hoje venho falar de um assunto super sério e que me deixou muito feliz. Segue o post do blog do Designer Gabriel Patrocínio, onde ele fala sobre a regulamentação da nossa profissão.

Regulamentação. Um caso sério.

foi apresentado hoje, dia 18 de maio de 2011, na câmara dos deputados em brasília, o projeto de lei 1391/2011 que dispõe sobre o exercício profissional de design (ok, o projeto diz “de designer”, mas diante de tantos problemas enfrentados até aqui, digamos que esse é um problema menor, que poderá – espero – ser corrigido a tempo). o projeto foi apresentado pelo deputado josé luiz penna (pv-sp) e pode ser encontrado no site do deputado.

para acompanhar a tramitação do projeto, cadastre-se no site da câmara dos deputados.

a adegraf colocou há algum tempo em seu site uma apresentação sobre regulamentação profissional. e eu mesmo já fiz um longo post sobre o assunto (regulamentação, ou design e o seu zé da venda), com diversos links e seguido por muitos comentários interessantes. e tem ainda dois excelentes textos, dos professores freddy van camp e mauro pinheiro. não deixem de ler!

a regulamentação profissional é apenas um passo num processo de reconhecimento pela sociedade da atividade de design. faz parte da cultura do nosso país regulamentar. então, sem regulamentação não há reconhecimento.

e por favor colegas – já discutimos essa questão há mais de trinta anos – é hora de nos unirmos em apoio ao projeto, que significará um grande avanço para a atividade de design no país. não é um projeto que traz vantagens pessoais, mas sim uma contribuição significativa para o efetivo reconhecimento da importância da atividade para a nossa sociedade.

vamos todos apoiar!

updates 1 e 2 (20.5.2011)

1. algumas considerações adicionais:

precisamos ter limites à nossa atividade, limites éticos, por exemplo, responsabilidade sobre a péssima qualidade de muitos projetos que vemos por aí que desabonam a atividade profissional.

para um empresário, especialmente para o pequeno empresário, uma primeira experiência ruim com um designer significa uma experiência ruim com o design como atividade, como solucionador de problemas.

regulamentação traz reconhecimento da sociedade, do governo, e de outros campos profissionais. reconhecimento e respeito. é lógico que isso não se faz somente através da regulamentação, mas esta é um passo importante nesse sentido, pelo qual debatemos e lutamos há trinta anos pelo menos.

2. esclarecimento:

somente hoje soube da origem e encaminhamento do projeto. afinal, como estou residindo fora do brasil, não tenho acompanhado de perto o assunto, apesar de fazer parte virtualmente, por skype, de uma comissão da abedesign que discute outros aspectos da regulamentação como classificação estatística, fiscal e trabalhista.

então, vale o esclarecimento: o encaminhamento deste projeto, feito pela associação de designers de produto, adp, através do ernesto harsi, faz parte da agenda discutida no forum design brasil, entidade que reune todas (ou a quase totalidade) das associações representativas do design no país. lá, discutiu-se que a adp, por já estar trabalhando nessa questão, continuaria a encaminhá-la. isso reforça o caráter de legitimidade e representatividade do projeto e, como o ernesto harsi lembrou, esta formatação do projeto foi discutida em associações profissionais e de estudantes. não havia possibilidade de discussão mais ampla do que essa. porque? porque não temos nenhum congresso ou encontro nacional que reúna a classe como um todo (do porte dos antigos endi – encontro nacional de desenho industrial); muito poucos dos nossos profissionais são membros regulares de alguma associação, que são a única forma organizada de representação da classe (nesse aspecto, os estudantes estão muito mais organizados e tem maior representatividade, a partir da organização dos ndesign e da forma de representatividade adotada). quero com isso dizer que a ampliação do debate – deste ou qualquer outro que intesse à classe – passa por cada um de nós: ou nos associamos, ou perdemos voz. e se não fizermos esse movimento, não teremos nenhuma, absolutamente nenhuma, legitimidade para protestar depois sobre o que foi feito pelas associações em nome da categoria. pois esse é exatamente o papel das associações – representar a categoria como um todo, e não apenas um pequeno grupo de associados.

por sinal, a adg colocou nota hoje no facebook e no website lembrando que o projeto é “fruto da discussão em um comitê onde participaram as principais associações no país.”

em resumo, esse é o meu recado: faça sua parte antes que alguém faça por você e em seu nome – procure uma das associações profissionais e associe-se agora!”

Fonte: http://www.politicasdedesign.com/2011/05/regulamentacao-um-caso-serio.html

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COMENTÁRIOS

  • http://www.alexmachado.net Alex Machado Farias

    olá. muito legal saber disso, mas eu tenho uma dúvida, por exemplo essa regulamentação é somente para quem fez faculdade de DESIGN GRÁFICO? ou por exemplo eu que sou formado em Artes Visuais – Multimídia, também entro no bolo?

  • Jorge XAvier

    Emanuele, obrigado pela informação.
    Já estou ha muito tempo esperando por isso, na faculdade que estudei fizemos um baixo assinado, mas não tivemos êxito espero que agora aconteça. Vamos torcer juntos!!!

  • Lia

    Acredito que seja para o profissional DESIGNER, ou seja, tanto faz Produto, Moda ou Gráfico e se é formado e se institula Designer (como profissão). Estamos ai na luta. Soube disso há 1 anos numa cadeira da faculdade…queria mesmo ja formada final do ano com a profissão regularizada.
    Lia, Porto Alegre/RS

  • http://www.alexmachado.net Alex Machado Farias

    então, é que o meu curso vê muitas coisas tanto de design gráfico como de publicidade, se acontecer e pro meu curso não rolar, lá vai eu fazer uns 2 anos de faculdade pra eliminar matéria hahaha ¬¬

  • http://chocoladesign.com/ Emanuele Benvenutti

    Gente, fazem 6 anos (5 anos de faculdade de Design Gráfico, mais um ano de formada) e eu venho esperando essa regulamentação. saber que talvez a gente consiga logo me anima muito! Vamos dar um basta aos micreiros! Aqui na minha cidade oferecem curso de “DESIGNER GRÁFICO” em um mês, isso me revolta.
    Acho que estamos quase lá, gente!
    Muito obrigada pelos acessos ao post!

  • http://jaci.coningham.net Jaci

    Pra quem tem dúvidas, vale a pena ler o projeto de lei, pois ele deixa em aberto para que as “especialidades” não citadas mas que façam parte dos requisitos para exercer a profissão sejam contempladas.

    Felizmente quando se fala em designer não se fala apenas em gráfico (meu curso de faculdade era gráfico, produto e interfaces, por exemplo!), então a maioria pode respirar aliviada. Assim como aqueles que não são formados mas exercem a profissão (e quando eu digo exercer é exercer de verdade) serão beneficiados também.

  • Mayer

    Mas para os que exercem a profissão mesmo sem serem formados, como muitos auto-didatas que sao excelentes, precisam estar na área há 5 anos ou mais e provar isso. Isso exclui os micreiros de 5 anos pra cá. Bom né? Só se tiver fiscalização

  • carlos

    E se alguém contratar o sobrinho para fazer sua logo…? Será preso? Multado? Essa regulamentação é conversa pra boi trouxa dormir

  • Leonardo

    Na minha opnião, micreiro só incomoda micreiro.

  • carlos

    E dá vantagens a quem? Ao Designer? hohoho o que vai acontecer é que o micreiro vai pedir a um diplomado para “assinar”… quem vai sair lucrando é o futuro órgao regulador que vai levar sua taxa pra casa…

  • Pingback: Regulamentar a profissão de designer – sim ou não? - Design Blog

  • http://www.popupdesign.com.br Leandro Lima

    Sou a favor de uma regulamentação inteligente! Essa que esta ai é PORCA E NÃO ACABARÁ COM OS MICREIROS! Pelo contrário… vai criar cursos péssimos de design (piores do que muitos que ja existem em UniEsquinas por ai, onde professores mal sabem construir um site usando webstandards) apenas para alimentar o mercado. O micreiro entra só pra pegar o diploma. Sai sem conteúdo ou capacidade alguma, mas é regulamentado. Continua cobrando seus 300 paus pra fazer o logo da tia da quitanda da esquina e vocês continuam chorando que micreiros roubam seus trabalhos! Peraê, gente… rouba mesmo? Quantos micreiros estão trabalhando no design dos novos produtos do Google? Quantos micreiros são contratados por agências pra ganhar Cannes? Quantos sobrinhos estão trabalhando em algum portal da Globo? Refaço a pergunta: micreiros realmente roubam seus trabalhos? Vocês realmente querem concorrer com moleque que faz logozinho por 150 reais no WeDoLogos ou com Designers de verdade, que trabalham de verdade? As empresas que correm atrás dos micreiros estão loucas por um trabalho profissional, só não fazem por falta de dinheiro! Vocês acreditam que, só porque tem um diploma e pagam fortunas pra um sindicato corrupto o vendedor de ovos da esquina aceitará, magicamente, pagar 5 mil reais por um logo? Micreiro só rouba trabalho de micreiro! E quem reclama disso, está se rebaixando ao nível de Micreiro!

    A maioria dos micreiros que eu conheço se formaram (em faculdades completamente bundas, mas se formaram). É incrível como uma pessoa formada não conseguia aplicar leis básicas de gestalt em seus projetos! Eram micreiros com diploma! E são essas pessoas que essa regulamentação porca está favorecendo!

    Pensem nas sequências dos fatos:
    1 – Designer passa a ser profissão regulamentada
    2 – Será OBRIGATÓRIO as pessoas terem cursos superiores para trabalhar (salvo aquelas que trabalham há mais de 5 anos na área antes da regulamentação)
    3 – Uma porrada de gente entra na faculdade por causa dessa obrigação. O interessante de uma faculdade é ter pessoas realmente interessadas em absorver aquele conteúdo e, depois que se formar, transformar o mundo à sua volta com ele! O que vai acontecer é ter um monte de gente que “quer se livrar logo” do fardo da faculdade e ser regulamentado o mais rápido possível. Teremos incontáveis micreiros regulamentados!
    4 – A credibilidade da nossa profissão vai pro limbo junto com a credibilidade da faculdade. (Sério, isso já aconteceu com vários cursos. Tipo, quantas pessoas entram para fazer faculdade de ADM achando que vão sair, administrar uma empresa e ser ricos? Poucas pessoas entram com o intuido de absorver e produzir conhecimento!)
    5 – Fiscais e Sindicatos de Designers enchem os bolsos com dinheiro de mensalidades que seremos OBRIGADOS a pagar pra exercer a profissão (vide Sindicato dos Bibliotecários, Médicos, CREF, Músicos e afins…).
    6 – Choramos e esperneamos porque era melhor antes!

    Gente, leiam com atenção e percebam o quão porca é essa regulamentação! O Diploma passará a valer mais do que um portfólio bem estruturado, não afastará o sobrinho e a qualidade das faculdades (e consequentemente dos designers) desabarão!

    Por que, ao invés de se apoiar em fiscalizações corruptas e regulamentações porcas, não olham apenas o portfólio para saber se o cara é bom? Nunca falha!

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  • Pedro Jacintho Cavalheiro

    O Brasil é o país da “carteirinha”. Infelizmente. Por aqui, se a profissão não é reconhecida (regulamentada), você não existe. Formado há 30 anos, fiz um curso com programa baseado no programa da ESDI, que por sua vez buscou referência em programas da BAUHAUS. O aluno saía de um curso de 4 anos, com aulas aos sábados no período da manhã, habilitado em Projeto de Produto e Comunicação Visual. Já naquela época falava-se que a regulamentação da profissão “estava pra sair”. Acreditei, trabalhei, defendi, desisti, voltei… A Universidade desistiu do curso. Encerrou-o. O amadorismo tomou conta do ofício e o termo “Design” virou qualquer coisa. Enquanto isso, o Japão estabeleceu uma política nacional de design para o produto japonês em 1959 ! No Brasil, se um carrinho de bebê pode provocar problemas de coluna, ninguém é responsável. Se um usuário cotidiano de computador fica cheio de sequelas porque senta em cadeira sem projeto ergonômico, apoia os braços e mãos em mesa sem projeto antropométrico e teclado idem, tudo é obra do acaso. Fatalidade. No meu tempo de faculdade, chamávamos carinhosamente a disciplina “ergonomia” de “bunda padrão”. Não podíamos imaginar que a “bunda” seria a nossa. Está na hora do Brasil deixar de ser amador. Está na hora de entender que Arquiteto não estudou pra projetar produto ou fazer comunicação visual. Fazem os que tem talento pra fazê-lo, com ou sem diploma e esses estão protegidos pelo projeto de Lei. Basta provar que exercem a profissão. Devemos olhar pra frente. Projeto de tudo que o ser humano tem contato físico, tem que ter responsável técnico. Regulamentação protege e aperfeiçoa o ofício. Basta olhar para o design de países onde o Designer é um profissional reconhecido, como o Japão, por exemplo.

  • LiuteCristian

    Saiu!!! Dia 28 de março de 2012! Um marco para todos nós… a profissão de designer esta oficialmente regulamentada!!! 

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