Vamos mudar o mercado #2

2 de setembro de 2011 Artigos 7 comentários

Fala, chocólatras!

Semana passada fomos surpreendidos pela notícia que Steve Jobs deixara o comando geral da Apple, a maioria dos designers são fanboys da Apple, mas nem todos sabem da história do homem que levou a Apple ao sucesso, muitos consideram ele um cara rude e sem muita sensibilidade com as pessoas, até porque ele nunca foi dos mais simpáticos. Estamos aqui não para falar sobre o futuro da Apple, mas sim sobre as mudanças que a empresa trouxe ao mercado de tecnologia, a visão de Jobs foi fundamental nesse processo.

A capacidade de inventar produtos de Jobs não era das maiores, temos mestres muito melhores do que ele, mas a visão de mercado de Jobs é única, o computador virou um objeto popular graças a “briga” de Jobs com outras empresas de peso como a IBM, a chegada da interface gráfica para facilitar a vida do usuário e o mouse também foram fatos em que Jobs enxergou muito antes dos outros mestres da tecnologia. Pra quem não conhece a história de Jobs, recomendo a leitura do livro “A Cabeça de Steve Jobs” de Leander Kahn.

No dia-a-dia

Agora trazemos pro nosso mercado diário, muitas vezes queremos inventar, alguns querem trazer movimentos de arte novos pros dias de hoje, mas o que precisamos é reinventar o mercado, a necessidade de saber lhe dar com o cliente é cada vez mais exigente, designers surgem no mercado a todo dia, infelizmente a grande maioria são os famosos “micreiros” ou “sobrinhos”, o que acaba deixando o mercado prostituido, preços cada vez menores são cobrados e quem sofre são os designers que tem mais experiência, que muitas vezes acabam diminuindo o valor de seu trabalho para poder “concorrer” com esses “sobrinhos”.

A solução é meio complicada, o que sempre faço é largar o cliente, não gosto e nem me sinto bem em concorrer com os “sobrinhos”, prefiro entregar meu cartão pro cliente e desejar toda sorte, e apenas esperar o cliente me ligar pois se ele realmente se importar com sua marca, vai querer fazer algo com qualidade e vai voltar a me ligar, essa é a hora de mostrar seu valor e realmente fidelizar o cliente. Caso ele prefira ficar com as lindas” coisas feitas com o sobrinho, paciência.

A mudança

É necessário profissionalizar nosso trabalho não é porque é um simples cartão de visita que não precise respeitar o processo, briefing, proposta, contrato. Temos que saber nos defender e não aceitar certas condições de trabalho, não adiantar nada reclamar do cliente e não fazer nada para que ele mude. Os que estão começando tendem a aceitar de tudo sem indagar, mas quem tem bom portfólio e consegue mostrar do que é capaz, pode sim exigir e mostrar que desde cedo são profissionais, o contrato, o briefing, o processo como um todo é importante. Designers, clientes, fornecedores todos precisam agir para uma mudança de mercado. Não adianta ficar parado esperando que tudo mude do nada, quem está começando pode e deve já começar a carreira diferente e quem já está no mercado deve começar uma nova forma de trabalhar.

Parabéns a quem já trabalha dessa forma.

E pra finalizar um trecho da entrevista de Steve Jobs à revista Playboy, em 1987

“No vocabulário da maioria das pessoas, design significa aparência. É decoração de interiores. É o tecido de cortinas, do sofá. Mas para mim, nada poderia estar tão longe do significado de design. Design é a alma fundamental de uma criação humana, que acaba se expressando em camadas externas sucessivas do produto ou serviço. Quando você é um carpinteiro fazendo uma bela cômoda, você não vai usar um pedaço de madeira compensada atrás, mesmo que ela fique voltada para a parede e ninguém a veja. Você sabe que ela está lá, então você vai usar um belo pedaço de madeira atrás. Para você dormir bem à noite, a estética, a qualidade, tem que ser aplicada completamente.”

 

  • COMENTÁRIOS

    • @denokas

      Achei o post bem bacana e também acredito que trabalhar dessa forma, assim como qualquer outra profissão, seja realmente a correta. Sou designer e também tenho a obrigação de desmistificar essa imagem de que designer senta na frente do PC e em 5min termina…. Alô mercado/clientes, as coisas, de fato, não são assim e um bom estudo por atrás do design, é importante sim.
      Porém tudo não são flores e tem muitos “não bons” designers espalhados e aí que mora o grande problema, na minha opinião, que eles se vendem por qualquer merréca e o mercado, infelizmente, está cheio de clientes atrás desses designers. A prostituição desse mercado é F*** =/
      Mas a luta é válida e como o Steve Jobs disse: “Para você dormir bem à noite, a estética, a qualidade, tem que ser aplicada completamente.” e que sejam desenvolvidos todos os jobs…
      Abss !

    • http://www.rafaelcamargo.com Rafael Camargo

      OBS.: ‘saber lhe dar com o cliente’ = ‘saber lidar com o cliente’

    • http://www.magelstudio.com.br Marco Moreira

      Realmente, nosso amigo Jobs fez muitas coisas por todos.
      Hoje muita coisa é inspirada no design e na usabilidade da apple e, mesmo não fazendo direito todo mundo copia. A apple é fantástica e para mim são cases de exemplo que uso com clientes para falar em qualidade, estudo, pesquisa, ergonomia e preço.

      A respeito dos “sobrinhos”, hoje eles não me atrmentam mais. Tenho um preço/qualidade muito superior e dá para perceber logo de cara quando o cliente ou futuro cliente não valoriza o verdadeiro projeto e cai fora. Eu também perco trabalhos com os preços que pratico, por outro lado ganho outros pela qualidade, então acaba não me prejudicando. Acho que tem mercado pra todo mundo e existem clientes e clientes. Aqueles que vão querer fazer um folder super caprichado com impressão em cor especial (e tem dinheiro pra isso) e aqueles que vão querer um simples panfleto. O segundo não vai querer (e as vezes nem pode) bancar um projeto de design para panfletaria. Mas aí a discussão é enorme, vai longe!…rs

      Uma coisa que tenho percebido e que faz a maior diferença não é só a qualidade no projeto, mas também a de atendimento. Ser pontual, ligar para o cliente, dar atenção, visita-lo. Não deixá-lo no vacuo. No orçamento temos que prevertodas as enxeções de saco, idas e vindas, refações, ligações e visitas. Não adianta cobrar 500 pilas para fazer um loguinho e depois ficar reclamando que o cliente não ostou, que pediu pra refazer 20 vezes… tudo tem que ser claramente brifado, conversado, assinado em proposta e devidamente cobrado. Ajustes fazem parte e eles nos fazem crescer e conhecer melhor o produto de nossos clientes.

      A Apple também teve um começo, também errou (e ainda erra), mas costumo dizer que “o certo é fazer o certo”, ou seja, se vc é verdadeiro, ama o que faz, honesto, atencioso e faz tudo com transparência, não tem como dar errado. Os erros estão aí pra fazer a gente aprender também, mas se a gente for pelos caminhos certos os erros serão menores e teremos a certeza de uma evolução saudável :)

      (Esse seu post+meu comentário me inspirou a fazer um post lá no Magel depois) rs

      Abraços!

    • http://www.ohmyfun.com.br OhmyFun – Conteúdo e diversão!

      Realmente.. é isso aí, cara!

    • Alexandre

      a maioria dos livros atualmente sobre inovação, dizem que devemos reinventar o mercado, criar novos nichos, inovar, etc… mas nenhum deles diz como.

    • http://www.carlosfachini.com @carlosfachini

      Realmente ja apanhei muito no começo de freela ate que adotei contratos prazos para entrega de conteudo (cliente/eu) e enfim tudo começou a funcionar…
      É isso ai pessoal vamos dar uma “padronizada” e um chacoalhão nesse clientes/empresas pois nossa area esta ficando muito bagunçada e em alguns estados ate desvalorizada..

      Abs

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